Peru multará motos com duas pessoas para prevenir assaltos
Peru multará motos com 2 pessoas a bordo para prevenir assaltos (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/Mateusz Dach
Medida vale a partir desta quarta-feira
A Polícia Nacional do Peru (PNP) começará a multar em quase 200 dólares (R$ 1.073,34 mil) as motocicletas que circularem com duas pessoas a bordo para tentar conter o aumento dos ataques de assassinos e roubos, principalmente na capital, Lima. A medida vale a partir desta quarta-feira (21).
Na última quinta-feira (15), o governo aprovou essa medida em um decreto supremo que inclui a proibição de duas pessoas viajarem na mesma motocicleta em áreas declaradas em estado de emergência, como acontece desde outubro do ano passado em várias cidades, entre elas Lima e a província portuária vizinha de Callao.
O diretor de trânsito, transporte e segurança viária da Polícia, Humberto Alvarado, explicou em entrevista coletiva nesta segunda-feira que, atualmente, está sendo realizada uma etapa de sensibilização e comunicação à população, mas a partir de quarta-feira as sanções econômicas já serão aplicáveis.
– Entendemos que este decreto supremo visa reforçar estas disposições do estado de emergência, é mais um mecanismo que a polícia de trânsito vai começar a regular a partir do dia 21 com as sanções correspondentes a estes casos – analisou.
Alvarado acrescentou que essa medida visa mitigar e minimizar os atos de violência, uma vez que muitos crimes de extorsão e assassinato são cometidos “por pessoas de má vida a bordo de uma motocicleta”.
A infração pela primeira vez será punida com uma multa de 660 sóis (cerca de R$ 1.054), além da acumulação de 50 pontos na carteira de habilitação; mas em caso de reincidência, a multa aumentará para 1.320 sóis (R$ 2.108) e serão somados 60 pontos, punição que pode até mesmo resultar na suspensão do documento.
– Entendemos que isso vai fazer parte da cultura cidadã, da cultura cívica também, e isso tem que ser regulamentado com as operações permanentes que vamos desenvolver em toda a extensão de Lima – indicou o general.
O cidadão Ronnie Pretel, que viaja diariamente de motocicleta com sua companheira, disse à Agência EFE que essa medida os discrimina e que eles serão prejudicados em seu dia a dia, mesmo não fazendo nada de errado.
– O que nos resta? Pagam os justos pelos pecadores. Somos duas pessoas trabalhadoras que estão indo para o trabalho, não somos criminosos. O que se pode fazer? São medidas populistas – disse Pretel, do distrito de Lince, em Lima.
Ele acrescentou que há muita criminalidade em Lima e que a situação chegou a um ponto em que tem medo que sua companheira viaje em transporte público, devido aos constantes ataques, que exigem o pagamento de cotas aos motoristas de ônibus, contra os quais os criminosos atiram caso não paguem.
O governo do Peru prorrogou neste sábado por 30 dias o estado de emergência decretado desde outubro do ano passado em Lima e na província portuária vizinha de Callao para enfrentar o impacto do crime organizado e da criminalidade comum.

