Dossiê da PF aponta ligações, convite e tratativas financeiras entre Toffoli e dono do Banco Master
Dias Toffoli é relator do Caso Master. As decisões do ministro têm gerado polêmica e pedidos de afastamento. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Relatório entregue ao presidente do STF descreve indícios de proximidade entre ministro e banqueiro; Toffoli nega irregularidades e fala em “ilações”
Um relatório da Polícia Federal (PF) colocou sob novos holofotes a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do chamado Caso Master. O documento, com cerca de 200 páginas e atualmente sob sigilo, detalha possíveis conexões entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master.
O material foi entregue pessoalmente na segunda-feira (9) ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O relatório reúne informações extraídas de cinco aparelhos celulares apreendidos com Vorcaro durante as fases da operação Compliance Zero.
De acordo com o dossiê, foram identificados registros de ligações telefônicas entre Vorcaro e Toffoli, embora o conteúdo das conversas não tenha sido captado. Também há menções a um convite feito pelo ministro ao empresário para uma festa de aniversário, fato que, na avaliação de investigadores, indicaria possível relação de proximidade entre ambos.
O relatório ainda aponta conversas entre Vorcaro e terceiros sobre o resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli, além de tratativas envolvendo a empresa Maridt, da qual o ministro é sócio e que foi proprietária de parte do resort até fevereiro de 2025. O documento faz referências a pagamentos e operações relacionadas ao empreendimento.
Em nota, Toffoli classificou as informações como “ilações” e afirmou que a Polícia Federal não tem competência para solicitar seu afastamento, citando o artigo 145 do Código de Processo Civil. O ministro confirmou ser sócio da Maridt, mas ressaltou que assumiu a relatoria do caso envolvendo o Banco Master apenas em novembro do ano passado, nove meses após a venda das participações no resort.
O relatório não solicita formalmente o afastamento de Toffoli, mas apresenta elementos que, segundo a avaliação dos investigadores, poderiam indicar eventual incompatibilidade para que ele permaneça à frente da relatoria. Caberá ao presidente do STF decidir sobre possível suspeição do ministro, o que pode ampliar a crise institucional em torno do caso.
A pressão sobre Toffoli aumentou após decisões consideradas controversas. Ele assumiu a relatoria depois que a defesa de Vorcaro pediu a remessa do processo ao STF, mencionando o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado.
Entre as medidas que geraram críticas internas na Polícia Federal estão a decretação de sigilo da investigação no mesmo dia em que o ministro viajou ao Peru em aeronave de empresário e advogado ligados ao Master, a centralização da custódia das provas no Supremo, a determinação de acareação antes de depoimentos e a formulação de perguntas próprias aos investigados — procedimento considerado incomum.
Inicialmente, também houve restrição ao acesso da PF aos materiais apreendidos, decisão posteriormente revista para permitir a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e a realização de perícia por quatro agentes. Por fim, a redução de prazos para depoimentos e a exigência de novo cronograma foram vistas por integrantes da corporação como medidas excessivamente apertadas.
O caso segue sob análise do STF, enquanto cresce o debate jurídico e institucional em torno da permanência de Toffoli na relatoria.

