Filho linha-dura de Ali Khamenei é escolhido como novo líder supremo do Irã
Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã. (Foto: Wikipedia)
Assembleia dos Peritos nomeia Mojtaba Khamenei após a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataques da coalizão EUA-Israel
O Irã anunciou a escolha do clérigo xiita Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país. A decisão foi tomada pela Assembleia dos Peritos, órgão composto por religiosos que possui autoridade constitucional para indicar a autoridade máxima do regime islâmico.
Mojtaba sucede seu pai, Ali Khamenei, que governou o Irã desde 1989 e morreu no fim de fevereiro de 2026, após ataques militares realizados durante a escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e forças iranianas.
A escolha ocorreu neste domingo (08), poucos dias após a morte do antigo líder e em meio à guerra regional que já provocou centenas de mortes e forte instabilidade no Oriente Médio.
Analistas avaliam que a sucessão reforça o controle da ala mais conservadora e radical do regime teocrático iraniano.
Eles dizem que a escolha de Mojtaba, um clérigo profundamente linha-dura cuja esposa, mãe e outros membros da família também foram mortos em ataques entre EUA e Israel – envia uma mensagem inequívoca: a liderança do Irã rejeitou qualquer perspectiva de compromisso para preservar o sistema e não vê caminho para a frente, exceto confronto, vingança e resistência.
“O mundo sentirá falta da era de seu pai”, disse uma autoridade regional próxima a Teerã à Reuters.
“Mojtaba não terá escolha a não ser mostrar um punho de ferro… mesmo que a guerra acabe, haverá severa repressão interna.”
‘Grande Satã’
Para muitos clérigos iranianos, que frequentemente se referem aos EUA como o “Grande Satã”, o assassinato de Khamenei – a mais alta autoridade religiosa da República Islâmica – elevou sua morte à condição de “martírio”.
Os clérigos passaram a retratar o líder morto como uma figura heroica, comparando-o ao Imam Hussein – símbolo central do xiismo, associado ao sacrifício e à resistência contra a opressão.
Segundo a Reuters, o presidente americano Donald Trump havia declarado o nome do filho de Ali Khamenei como seu sucessor “inaceitável”.
“Mojtaba é ainda pior e mais linha-dura do que seu pai”, afirmou Alan Eyre, ex-diplomata dos Estados Unidos e especialista em Irã, acrescentando que ele era o candidato preferido da Guarda.
“Ele terá muita vingança a exercer.”
Declaração após a escolha
Segundo a Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia classificado como “inaceitável” a escolha do filho de Ali Khamenei como seu sucessor.
De acordo com o comunicado divulgado por autoridades iranianas, o novo líder declarou que “a República Islâmica continuará firme diante de seus inimigos”, destacando que o Irã atravessa um período decisivo de sua história.
Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, Mojtaba Khamenei é clérigo xiita e professor de teologia no seminário de Qom. Ele também participou da Guerra Irã–Iraque e ao longo dos anos foi considerado uma figura influente nos bastidores da política iraniana, com fortes vínculos com a Guarda Revolucionária.
Apesar de nunca ter ocupado cargos políticos formais de grande destaque, especialistas afirmam que ele já exercia grande influência na estrutura de poder do país e era visto como um possível sucessor de seu pai há anos.
Contexto político e impacto internacional
A nomeação acontece em um dos momentos mais tensos da história recente do Irã. O país está envolvido em confrontos militares e enfrenta sanções econômicas, além de crescente pressão internacional.
A sucessão também gerou críticas internas e externas por representar, para alguns analistas, uma espécie de transferência de poder dentro da mesma família, algo que lembra modelos dinásticos.
Observadores internacionais afirmam que a ascensão de Mojtaba pode significar uma linha política ainda mais rígida nas relações com o Ocidente e na condução dos conflitos regionais.
Contribua mensalmente
com o GUIA-ME.
Somos um meio de comunicação cristão. Trabalhamos para informar com clareza e exatidão, sustentados por apuração responsável, revisão criteriosa e compromisso editorial.
Fonte: Guiame, com informações da Reuters Atualizado: segunda-feira, 9 de março de 2026 às 09:53
Não atuamos como influenciadores de opinião, mas como jornalistas comprometidos com a verdade e os princípios de uma cosmovisão cristã.

