Crise no STF: caso Banco Master aprofunda tensão entre ministros e expõe desgaste institucional
Sessão plenária do STF Foto: Rosinei Coutinho/STF (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Revelações sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro colocam o ministro Alexandre de Moraes no centro das discussões e ampliam clima de desconfiança dentro do tribunal
Reportagens divulgadas pelo portal Brasil 247 e pelo jornal Valor Econômico apontam que os desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master provocaram um ambiente de forte tensão no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos de ministros ouvidos nos bastidores, o clima interno na Corte tem sido descrito como “péssimo”, com o caso atingindo diretamente a imagem institucional do tribunal.
A crise ganhou novas proporções após a divulgação de informações que mencionam o ministro Alexandre de Moraes em mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da operação Compliance Zero. Para integrantes do STF, a repercussão dessas revelações pode ter impacto ainda maior do que episódios recentes envolvendo o ministro Dias Toffoli.
Investigação fortalece protagonismo de André Mendonça
A condução das investigações sobre o Banco Master passou para o ministro André Mendonça após críticas dirigidas ao antigo relator do caso, Dias Toffoli. Toffoli havia sido questionado por restringir o acesso da Polícia Federal a determinadas provas.
Ao assumir o processo, Mendonça restabeleceu o que classificou como o “fluxo ordinário” das apurações e autorizou que investigadores voltassem a ter acesso a dados obtidos na operação Compliance Zero. A atuação ampliou sua visibilidade dentro da Corte, especialmente porque ele também conduz o inquérito que investiga desvios associativos envolvendo aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Outro fator que aumenta o protagonismo do ministro é a previsão de que ele ocupe a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano. Ainda assim, há divergências internas no Supremo: uma ala da Corte questiona o fortalecimento político de Mendonça, argumentando que ele não teria o mesmo peso institucional ou habilidade política de outros integrantes do tribunal.
Atritos com a Procuradoria-Geral da República
O caso também gerou tensão entre o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na última sexta-feira (6), o procurador-geral Paulo Gonet respondeu a críticas feitas por Mendonça após solicitar prazo adicional para se manifestar sobre pedidos de prisão relacionados à operação Compliance Zero.
Na manifestação enviada ao Supremo, Gonet destacou a importância do posicionamento do Ministério Público e citou o episódio envolvendo Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após tentar suicídio durante o andamento das investigações.
Mensagens atribuídas a banqueiro ampliam crise
A crise institucional ganhou novo impulso após reportagem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontar que uma das últimas mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro antes de sua primeira prisão, em novembro, teria sido direcionada ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo informações divulgadas na reportagem, a existência dessas mensagens teria sido identificada a partir de análise técnica da Polícia Federal no celular do banqueiro, que permitiu visualizar simultaneamente a tela do WhatsApp e imagens enviadas com visualização única.
Em nota divulgada pelo Supremo na sexta-feira (6), Moraes negou ter recebido qualquer mensagem de Vorcaro no dia da prisão.
“Clima péssimo” e preocupação com impacto político
Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a crise atual tem características diferentes de outros momentos de tensão enfrentados pela Corte. Enquanto episódios anteriores estavam ligados a decisões judiciais polêmicas, agora as suspeitas recaem sobre possíveis condutas individuais de magistrados.
Um integrante do tribunal comparou o cenário a investigações que normalmente atingem parlamentares, lembrando que, nos últimos anos, o Supremo vinha sendo visto como uma das instituições mais estáveis do país.
Outro ministro afirmou que situações envolvendo eventuais relações indevidas “soam muito mal” para a imagem da Corte e exigem cautela. Já um terceiro magistrado descreveu o ambiente como extremamente deteriorado, afirmando que o país vive um cenário “caótico”.
Segundo essa avaliação, o clima de tensão dentro do STF pode repercutir no ambiente político nacional e influenciar o contexto das eleições deste ano, que alguns ministros consideram propensas a um ambiente mais radicalizado.

