Contas públicas: dados contestam narrativa de que Lula herdou “rombo fiscal” de Bolsonaro

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Dados contradizem narrativa do governo Lula sobre "rombo fiscal" deixado pelo governo Bolsonaro. (Foto: Narcelo Camargo?Agência Brasil)

Dados citados pela reportagem indicam que 2022 terminou com superávit primário, não déficit.

Uma reportagem publicada pelo portal Gazeta do Povo analisa a narrativa do governo federal de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria herdado um “rombo fiscal” deixado pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a análise, dados das contas públicas indicam um cenário diferente do apresentado pelo governo.

De acordo com a reportagem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou no início de 2026 que o atual governo precisou “consertar” um rombo fiscal deixado pela gestão anterior e chegou a classificar a situação herdada como um “estupro das contas públicas”. O ministro também acusou o governo Bolsonaro de ter produzido um superávit artificial em 2022 para entregar um orçamento deficitário no ano seguinte.

Resultado das contas em 2022

Dados fiscais citados na reportagem apontam que, em 2022, último ano do governo Bolsonaro, o setor público registrou superávit primário de cerca de 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB) — o melhor resultado em oito anos. Esse desempenho foi impulsionado pela recuperação econômica após a pandemia e pelo aumento das receitas públicas.

O superávit primário ocorre quando o governo arrecada mais do que gasta, desconsiderando os juros da dívida pública. Esse indicador é frequentemente utilizado para avaliar a saúde fiscal de um país.

Contas no terceiro mandato de Lula

Já durante o terceiro mandato de Lula, iniciado em 2023, a reportagem afirma que as contas públicas voltaram a registrar resultados negativos. Em 2025, por exemplo, o país teria encerrado o ano com déficit primário de 0,43% do PIB, levemente superior ao registrado em 2024.

Segundo o levantamento citado pelo jornal, ao longo de 36 meses da atual gestão, o resultado positivo teria aparecido em apenas sete meses, sustentado principalmente por receitas extraordinárias.

Crescimento das despesas públicas

Economistas ouvidos pela reportagem apontam que a deterioração fiscal estaria ligada ao crescimento das despesas obrigatórias. Entre 2023 e 2025, as despesas do governo teriam aumentado 15,4% em termos reais, quase três vezes mais do que no período entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro.

Esse crescimento, de acordo com analistas, teria ampliado a pressão sobre a dívida pública brasileira.

Aumento da dívida

Outro ponto destacado é a evolução do endividamento público. Conforme os dados citados, a dívida bruta do país teria subido cerca de sete pontos percentuais do PIB durante o atual mandato, alcançando aproximadamente 78,7% do PIB.

Projeções do mercado financeiro indicam que o endividamento pode continuar crescendo nos próximos anos. Estimativas apontam dívida próxima de 90% do PIB em 2028 e podendo chegar a 100% do PIB até 2035, dependendo do cenário econômico.

Comparação com governos anteriores

A reportagem também compara o desempenho fiscal do atual governo com administrações anteriores. Segundo analistas, a trajetória das contas públicas no terceiro mandato de Lula se aproxima mais da registrada nos governos de Dilma Rousseff, que terminaram com forte deterioração fiscal, do que do período dos dois primeiros mandatos de Lula, quando o país manteve superávits primários e redução da dívida em relação ao PIB.


Resumo:

  • O governo Lula afirma ter herdado um “rombo fiscal” da gestão Bolsonaro.
  • Dados citados pela reportagem indicam que 2022 terminou com superávit primário, não déficit.
  • Desde 2023, as contas públicas voltaram a apresentar déficits e aumento da dívida.
  • Economistas apontam crescimento acelerado das despesas públicas como principal fator de pressão fiscal.

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