Nem na Língua Portuguesa há a selesã:
para quem torcerei,
1 – O AFÃ —
– Eu ficara de falar da Argentina versus Inglaterra,
ou, vice-versa, que meu verso descerra,
– logo, logo, justificarei,
para quem torcerei,
– mas, antes, lembrar-me-ei da Espanha,
que foi duma felicidade tamanha,
colocando, ontem, a França,
na roda ou para uma dança,
pois até a melhor seleção
não é, nunca, e nem existe a palavra selesão,
já que tem a hora da doença,
até para quem disso não se pensa.
2 – DOS QUAIS SOU FÃ —
– Minha bisavó materno-materna foi na Itália concebida,
e, na Argentina, no final da concepção, tornou-se nascida,
Italo-argentina
menina,
– meu primogênito foi duas vezes n’Argentina bem acolhido,
e, desta feita, sem desfeita, pela segunda vez ele tem frutos colhido;
– meu primeiro patrão
foi meu paizão,
mas eu tive um outro pai.trão:
Andrew John era seu nome,
e Bradford Greening, seu duplo sobrenome;
ele era Inglês, batista reformado,
e fui no seu lar recepcionado,
para o desjejum e o almoço,
eu, muito magro e, mais, moço,
isso por alguns meses,
ou, muitas vezes,
quando eu era office-boy,
sob esse outro meu herói,
na extinta Livraria Luz do Vale,
dizer Livraria Evangélica equivale.
3 – SE EXISTISSE, EXCLAMAR-SE-IA “Ô! —
– Com tudo que devo à esse lar inglês,
pelo que por mim ele fez,
contudo torcerei par’Argentina,
não por quê a bisa Teresa Fazzolo foi lá menina,
e, nem por Buni di Medeiros lá ainda fazer Medicina;
torço por esse país pelo seu futebol,
que foi para mim mais que farol,
pois, pescou-me com esse seu anzol.
Ó, leitor,
oh, falarei dum famoso torcedor:
olá, Mbappé pro Messi irá torcer,
e como eu não iria disso dizer?!
Sim, entre os torcedores estou no rol!!!?
– Celso de Medeiros Costa, pr., sob a luz do sol.

