“Bora, Lula!” ou “Vai embora, Lula!”: o embate de narrativas na campanha de 2026
Lula e Moraes ainda têm muitos apoiadores entre jornalistas e artistas, apesar de tudo o que eles têm feito ao país. (Foto: Imagem criada utilizando Google Gemini/Gazeta do Povo)
Artigo de Luís Ernesto Lacombe questiona postura da imprensa, de artistas e do governo Lula diante das controvérsias políticas do país
O jornalista Luís Ernesto Lacombe publicou um artigo em que critica a atuação de setores da imprensa e do meio artístico no cenário político brasileiro e contrapõe o slogan “Bora, Lula!”, adotado recentemente por artistas em manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à expressão “Vai embora, Lula!”, defendida pelo próprio autor.
A discussão ganhou novo espaço no debate público nesta semana. Em 17 de setembro, artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Xamã, Paulinho da Viola, Malu Mader e outros participaram de uma mobilização do coletivo 342 Artes em apoio à candidatura de Lula à reeleição. O grupo adotou a expressão “Bora, Lula” como lema da iniciativa.
Críticas à atuação da imprensa
No artigo, Lacombe sustenta que parte da imprensa deveria fazer uma revisão de sua postura diante das decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos anos. O jornalista cita particularmente o ministro Alexandre de Moraes e afirma que veículos de comunicação teriam relativizado limites legais em nome da defesa da democracia.
A crítica ocorre em um momento em que o próprio jornalista Merval Pereira reconheceu que a imprensa errou ao avaliar determinadas medidas do STF. Em comentário publicado pela GloboNews em setembro, Pereira afirmou que jornalistas, em algumas situações, deixaram de considerar limites legais e formais ao analisar decisões da Corte. Segundo ele, a imprensa deveria ter sido mais rigorosa na avaliação desses limites.
Merval também fez críticas à atuação de Alexandre de Moraes e defendeu que eventuais investigações envolvendo o ministro sejam conduzidas de maneira institucional. Em comentário publicado pela CBN, chegou a defender seu afastamento durante eventual investigação relacionada às denúncias que estavam sendo discutidas naquele momento.
Lacombe utiliza esse episódio como ponto de partida para questionar se outros profissionais da imprensa também estariam dispostos a reconhecer erros cometidos nos últimos anos.
8 de Janeiro e os diferentes entendimentos
Outro ponto destacado no artigo é a interpretação sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Lacombe contesta a forma como parte da imprensa caracteriza os acontecimentos e critica jornalistas que, segundo ele, continuam classificando os episódios como uma tentativa de golpe de Estado.
O tema permanece objeto de diferentes interpretações políticas e jurídicas. Enquanto autoridades e decisões judiciais trataram os atos como ataques às instituições democráticas, setores da oposição e comentaristas políticos questionam a extensão e a individualização das responsabilidades atribuídas aos participantes.
Lula e o apoio de artistas
Na parte final do texto, Lacombe direciona sua crítica ao presidente Lula e aos artistas que declararam apoio à sua candidatura.
A expressão “Bora, Lula” ganhou repercussão nacional nos últimos dias. Segundo reportagem publicada pelo Estado de Minas, o slogan foi utilizado em um vídeo de apoio à reeleição do presidente, reunindo 17 personalidades do setor artístico. A iniciativa foi organizada pelo coletivo 342 Artes.
O autor do artigo contrapõe o slogan ao seu próprio posicionamento: “Vai embora, Lula!”, acompanhado também de críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
Entrevista de Lula no Jornal Nacional
O debate ocorre também no contexto da entrevista de Lula ao Jornal Nacional, realizada em 27 de agosto. A entrevista foi posteriormente analisada pela agência de checagem Lupa, que apontou erros e exageros em algumas declarações do presidente, incluindo afirmações sobre o crescimento do PIB, sua relação com Roberta Luchsinger e o combate à fome.
A análise de checagem, contudo, não significa que todas as afirmações feitas pelo presidente tenham sido consideradas falsas: a reportagem diferenciou informações incorretas, exageradas e afirmações consideradas corretas.
Debate político permanece aberto
O artigo de Luís Ernesto Lacombe se insere, portanto, em um ambiente de forte polarização política, no qual manifestações de apoio e oposição ao governo Lula voltam a ganhar espaço com a aproximação das eleições de 2026.
De um lado, artistas e apoiadores utilizam “Bora, Lula” para defender a continuidade do atual governo. De outro, críticos do presidente e de integrantes do STF utilizam expressões como “Vai embora, Lula!” e “Vai embora, Moraes!” para manifestar oposição.
Mais do que slogans, as manifestações refletem disputas distintas sobre o papel da imprensa, os limites de atuação das instituições, as decisões do STF e os rumos políticos do Brasil.
Por Luís Ernesto Lacombe
Adaptação e edição jornalística: Josimar Loureiro

