Igreja do Evangelho Quadrangular perde espaço político em Minas Gerais após eleições de 2026
Flamarion Rolando, Stefano Aguiar e Leandro Genaro não conseguiram garantir a continuidade da representação política associada à denominação; mudanças internas e a fragmentação de alianças marcaram o cenário eleitoral mineiro.
Por Josimar Loureiro
Portal Vale Evangélico
A Igreja do Evangelho Quadrangular enfrenta um novo cenário político em Minas Gerais após as eleições de 4 de outubro de 2026. Nomes historicamente associados à denominação, como os pastores Flamarion Rolando, Stefano Aguiar e Leandro Genaro, estiveram no centro de uma disputa marcada por mudanças nas alianças e pela busca de votos em um eleitorado evangélico cada vez mais diversificado.
O resultado representa um desafio para a continuidade da representação política ligada à igreja. Entretanto, é importante distinguir a ligação religiosa dos candidatos de sua filiação partidária e de seus resultados individuais nas urnas.
Um dos fatores que antecederam a eleição foi a mudança na relação entre Stefano Aguiar e a Igreja do Evangelho Quadrangular. Em agosto de 2026, o deputado federal anunciou sua saída da congregação e também deixou de formar a tradicional dobradinha eleitoral com o primo Leandro Genaro, parceria que vinha sendo mantida desde 2014, segundo reportagem da Rádio Itatiaia.
A ruptura alterou uma articulação política construída ao longo de mais de uma década e evidenciou as mudanças nas relações entre lideranças religiosas e seus representantes eleitorais.
Três candidatos, nenhuma cadeira titular
Derrota eleitoral evidencia perda de força do grupo ligado à Igreja Quadrangular
O rompimento político entre lideranças ligadas à Igreja do Evangelho Quadrangular contribuiu para fragmentar uma articulação eleitoral tradicional em Minas Gerais. Nas eleições de 4 de outubro de 2026, Stefano Aguiar, Leandro Genaro e o pastor Flamarion Rolando terminaram como suplentes, sem conquistar mandato titular.
Stefano Aguiar recebeu 20.205 votos para deputado federal, resultado muito inferior aos mais de 96 mil votos obtidos em eleição anterior. O candidato anunciou sua saída da Igreja do Evangelho Quadrangular em agosto, em meio ao rompimento político com o primo Leandro Genaro.
Leandro Genaro, por sua vez, obteve 40.267 votos, segundo o levantamento do Jornal dos Vales. O resultado representa uma queda expressiva em relação aos mais de 101 mil votos registrados na eleição anterior, deixando-o sem a reeleição para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O pastor Flamarion Rolando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e recebeu 28.135 votos. Apesar da votação, não conseguiu se eleger e ficou na suplência.
Mudança no perfil do eleitorado evangélico
O resultado mineiro ocorre em um contexto mais amplo de transformação da representação evangélica na política brasileira. Análise publicada pelo UOL em 9 de outubro aponta que candidatos historicamente vinculados a denominações religiosas perderam espaço, enquanto políticos evangélicos identificados com o bolsonarismo, mas sem representação formal de uma igreja específica, tiveram desempenho expressivo.
Esse cenário sugere que a identificação religiosa, isoladamente, não assegura votos suficientes para conquistar uma cadeira no Legislativo. A presença nas redes sociais, a identificação ideológica, a atuação parlamentar, a popularidade individual e a capacidade de articulação eleitoral também podem influenciar o resultado.
É importante lembrar que a eleição para deputado federal segue o sistema proporcional. Assim, a votação individual precisa ser considerada em conjunto com o desempenho partidário e a distribuição das vagas. A condição de suplente não significa necessariamente ausência de apoio popular, mas indica que o candidato não conquistou uma das vagas titulares disponíveis para sua legenda.
O desafio da Quadrangular após as urnas
Para a Igreja do Evangelho Quadrangular em Minas Gerais, a ausência de representantes titulares entre esses três nomes abre espaço para uma reflexão sobre a relação entre liderança religiosa, participação política e escolha dos eleitores.
A derrota eleitoral dos candidatos não significa, por si só, que a denominação tenha perdido sua influência religiosa ou sua capacidade de mobilização. O resultado mostra, de maneira mais específica, que a estratégia política associada a esses nomes não foi suficiente para garantir mandatos titulares em 2026.
O próximo desafio será compreender as razões do desempenho eleitoral, avaliar as alianças estabelecidas e definir como a denominação e suas lideranças pretendem atuar no cenário político nos próximos anos.
A principal conclusão é que a Igreja Quadrangular não conseguiu eleger esses três nomes como titulares em Minas Gerais. Os três ficaram como suplentes, e uma eventual posse dependerá da abertura de vagas e da ordem oficial de suplência.
Fontes consultadas: Rádio Itatiaia, Fato e Verdade, Fuxico Gospel e UOL. Esta matéria diferencia a representação institucional da igreja da trajetória individual dos candidatos.
Josimar Loureiro
Portal Vale Evangélico — Vale do Aço e Vale do Rio Doce
Comunicação cristã interdenominacional

