Quem é o ex-general chavista que acusou Lula de ligação com o narcotráfico
Quem é Hugo Armando Carvajal Barrios, o ex-general chavista que acusou líderes latino-americanos de receber financiamento venezuelano
Resumo — Hugo Armando Carvajal Barrios (conhecido como “El Pollo”) é ex-chefe da inteligência militar venezuelana, deputado e diplomata. Preso na Espanha em 2021 e extraditado para os Estados Unidos em 2023, ele se declarou culpado em junho de 2025 a acusações federais ligadas a narcotráfico, narcoterrorismo e violações de armas. Desde sua ruptura com o regime de Nicolás Maduro, Carvajal tornou-se delator e fez alegações de que a Venezuela financiou partidos e líderes de esquerda em vários países — afirmações que ele e terceiros documentaram em entrevistas e em livro. Departamento de Justiça+1
Lide
Hugo Armando Carvajal Barrios, 65 anos, ganhou notoriedade primeiro como um dos principais homens-fortes do chavismo — chefe da Direção de Inteligência Militar (DIM) durante os governos de Hugo Chávez — e depois como figura controversa em disputas jurídicas e políticas internacionais. Em 2025, Carvajal admitiu perante um tribunal federal em Nova York culpa por quatro acusações, incluindo conspiração de narcoterrorismo e tráfico de cocaína. As declarações e documentos ligados à sua colaboração com autoridades internacionais reacenderam debates sobre vínculos entre atores estatais venezuelanos, grupos armados e redes de crime transnacional. Reuters+1
Trajetória: do Exército ao núcleo chavista
Nascido em Puerto La Cruz, Venezuela, em 1960, Carvajal formou-se na Academia Militar e participou da rede militar que apoiou Hugo Chávez já nos anos 1990. Com a ascensão de Chávez, chegou a ocupar cargos centrais: comandou a inteligência militar por cerca de uma década, função que lhe deu acesso a operações de contra-inteligência, vigilância política e articulações externas — inclusive cooperação com serviços de inteligência aliados. Durante esse período, autoridades e investigações internacionais apontaram possíveis conexões entre setores das Forças Armadas e rotas de tráfico de drogas que atravessavam o território venezuelano. Reuters
Cargos diplomáticos e políticos
Em 2014 foi nomeado cônsul-geral da Venezuela em Aruba — posição que inicialmente lhe conferiu imunidade diplomática e provocou um incidente internacional quando teve contato com autoridades locais. Posteriormente, elegeu-se deputado à Assembleia Nacional pelo estado de Monagas nas eleições de 2015, integrando a bancada do PSUV. Como parlamentar, buscou contestar publicamente acusações de corrupção e tráfico que lhe eram atribuídas.
Acusações de narcotráfico e o processo nos EUA
Autoridades americanas enquadraram Carvajal no âmbito das investigações sobre o chamado “Cartel dos Sóis”, que, segundo o Ministério Público dos EUA, envolveria altos oficiais venezuelanos e colaboração com grupos guerrilheiros colombianos, como as FARC, no contrabando de cocaína para os Estados Unidos. Após longa batalha jurídica na Espanha — onde foi detido inicialmente em setembro de 2021 — Carvajal foi extraditado para os EUA em 2023 e, em 25 de junho de 2025, declarou-se culpado de quatro acusações federais, entre elas narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína, enfrentando pena potencial significativa. Departamento de Justiça+2Departamento de Justiça+2
A delação e as acusações sobre financiamento de partidos
Depois de romper com Maduro em 2019 e aproximar-se de setores opositores, Carvajal passou a afirmar que possuía informações sobre operações irregulares do Estado venezuelano, incluindo financiamento político externo. Em declarações a autoridades e em entrevistas compiladas por jornalistas, ele afirmou que, por pelo menos quinze anos, o governo venezuelano teria financiado ilegalmente partidos e líderes de esquerda em vários países. Entre os nomes mencionados por fontes ligadas às suas declarações e por material jornalístico que reúne depoimentos atribuídos a ele estão líderes e partidos de países como Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru, Honduras, Colômbia e também forças políticas na Europa. Essas alegações foram registradas em entrevistas e em livro da jornalista Elisa Robson, que compilou depoimentos atribuídos a Carvajal. As acusações, entretanto, são contestadas por pessoas e governos citados, e parte do conteúdo divulgado provém de declarações do próprio delator, ainda sob escrutínio judicial e jornalístico. Amazon+1
Repercussões políticas e respostas
As declarações de Carvajal provocaram reações variadas: setores conservadores e opositores na região passaram a citar suas palavras como prova de intervenção venezuelana; já governos citados e o entorno de Maduro classificaram as alegações como fabricadas ou motivadas politicamente. Nos EUA, promotores afirmaram que, no momento da admissão de culpa, não havia um acordo público de cooperação ou leniência divulgado, embora a possibilidade de valiosa cooperação de inteligência tenha sido mencionada por analistas e por autoridades que avaliam o caso. No Brasil, os relatos compilados em investigações jornalísticas e em materiais citados por parlamentares e comentaristas alimentaram debates e pedidos de apuração, enquanto outros apontaram para a necessidade de evidências documentais e verificáveis além das declarações do ex-general. Departamento de Justiça+1
O que permanece por apurar
Há duas frentes distintas no caso Carvajal: (1) a dimensão criminal — em que ele admitiu culpa por crimes relacionados ao tráfico e aguarda sentença — e (2) a dimensão informativa/política — em que suas alegações sobre financiamento externo dependem de confirmação por documentos, corroborantes e procedimentos judiciais independentes. Autoridades americanas chegaram a afirmar que o conteúdo que ele poderia oferecer tem grande potencial informativo; por outro lado, o caráter de delator e as motivações pessoais ou políticas por trás das declarações tornaram-nas objeto de disputa e cautela jornalística. Departamento de Justiça+1
Conclusão
Hugo “El Pollo” Carvajal é uma figura cujo percurso cruza inteligência, política e agora processos criminais internacionais. Sua admissão de culpa nos EUA enfatiza o foco das investigações sobre possíveis vínculos entre setores do Estado venezuelano e o narcotráfico. Ao mesmo tempo, as denúncias que atribui a ele — sobre financiamento de partidos e líderes no exterior — continuam a gerar controvérsia e exigem verificação independente antes que possam ser tomadas como prova de operações sistemáticas de influência internacional da Venezuela. As próximas etapas judiciais nos EUA e eventuais divulgações de documentos ou colaborações adicionais definirão até que ponto as alegações de Carvajal terão respaldo factual e implicações duradouras na cena política regional. Departamento de Justiça+1
Fontes principais consultadas
- Departamento de Justiça dos Estados Unidos — comunicado sobre a extradição e a declaração de culpa de Carvajal. Departamento de Justiça+1
- Agências internacionais (Reuters, AP, Al Jazeera, The Guardian) — cobertura do processo, da extradição e do contexto das acusações. Reuters+2AP News+2
- Compilações jornalísticas e obra de Elisa Robson — referências às declarações atribuídas a Carvajal sobre financiamento de partidos e lideranças. Amazon+1

