Caminhoneiros confirmam greve nacional após alta do diesel e pressionam governo
Paralisação está prevista para começar na quinta-feira (19) e deve afetar abastecimento e logística em todo o país
Caminhoneiros de diversas regiões do Brasil confirmaram a realização de uma greve nacional a partir da próxima quinta-feira (19), em protesto contra o aumento no preço do diesel. A mobilização, segundo lideranças da categoria, já está em estágio avançado e deve impactar o transporte de cargas em todo o país.
O movimento é liderado por Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava). Ele afirma que a paralisação não tem caráter político, mas reflete a crise enfrentada pelos profissionais do setor.
— Não é um movimento político, a favor de governo A ou B. É uma decisão de sobrevivência. Hoje, o caminhoneiro trabalha praticamente sem lucro, sem conseguir cobrir nem os custos operacionais — declarou.
A decisão ocorre após o reajuste no preço do diesel anunciado pela Petrobras na última sexta-feira (13), o que intensificou a insatisfação da categoria.
Medidas do governo são consideradas insuficientes
Horas antes do anúncio do aumento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia divulgado medidas para conter a alta do combustível, como a suspensão da cobrança de PIS/Cofins e a criação de um programa de subvenção ao diesel. No entanto, segundo os caminhoneiros, as ações não foram suficientes para conter os impactos no setor.
De acordo com Landim, a mobilização atual remete à greve nacional de 2018, que provocou desabastecimento em diversas regiões do país.
— É o mesmo peso, a mesma dor de 2018. O cenário se repete. Já faz oito anos e nada mudou de forma estrutural — afirmou.
Entidades reforçam apoio e apresentam reivindicações

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística declarou apoio à paralisação e informou que a mobilização é resultado dos sucessivos aumentos nos combustíveis.
Entre as principais reivindicações da categoria estão:
- Fim de fretes abaixo do piso mínimo;
- Retorno da aposentadoria especial após 25 anos de contribuição ao INSS;
- Reforço na fiscalização e aplicação de multas para empresas que descumprirem o piso do frete;
- Retomada de políticas de controle na distribuição de combustíveis.
Em nota, a entidade destacou que os reajustes frequentes nos postos têm inviabilizado a atividade dos caminhoneiros, levando à organização nacional da categoria.
Cenário internacional pressiona preço do combustível
Especialistas apontam que a alta no diesel também está ligada ao cenário internacional, especialmente às tensões no Oriente Médio. O conflito na região tem afetado o tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
A possível interrupção ou redução no fluxo de petróleo impacta diretamente os preços globais, refletindo no mercado brasileiro.
Risco de impactos no abastecimento
Caso a paralisação se confirme em larga escala, há risco de desabastecimento de combustíveis, alimentos e outros produtos, além de impactos na indústria e no comércio.
O governo federal ainda não anunciou novas medidas diante da possibilidade de greve, mas acompanha a mobilização da categoria.

