{"id":46309,"date":"2026-03-09T15:46:22","date_gmt":"2026-03-09T18:46:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/?p=46309"},"modified":"2026-03-11T13:25:55","modified_gmt":"2026-03-11T16:25:55","slug":"o-silencio-da-violencia-contra-mulher-nos-lares-evangelicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/2026\/03\/09\/o-silencio-da-violencia-contra-mulher-nos-lares-evangelicos\/","title":{"rendered":"O sil\u00eancio da viol\u00eancia contra mulher nos lares evang\u00e9licos"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisas revelam agress\u00f5es dentro de fam\u00edlias crist\u00e3s e mostram por que muitas mulheres n\u00e3o denunciam, especialmente quando o agressor \u00e9 l\u00edder religioso <\/h2>\n\n\n\n<p>Na semana em que o mundo volta os olhos para o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de mar\u00e7o, um tema sens\u00edvel emerge dentro de comunidades religiosas: a viol\u00eancia contra mulheres em lares evang\u00e9licos. Embora igrejas sejam frequentemente associadas a valores como amor, cuidado e prote\u00e7\u00e3o familiar, pesquisas mostram que a realidade pode ser mais complexa e, muitas vezes, silenciosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3rias como a da banc\u00e1ria Maria (nome fict\u00edcio), da cidade de Tabo\u00e3o da Serra, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, revelam a dimens\u00e3o humana do problema. Ela conheceu o marido ainda adolescente em uma igreja evang\u00e9lica e viveu durante anos um relacionamento marcado por agress\u00f5es. Ao buscar ajuda no templo que frequentava, ouviu que deveria orar mais e permanecer no casamento. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou depois de uma interna\u00e7\u00e3o hospitalar, quando decidiu romper a rela\u00e7\u00e3o ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantamento do DataSenado e do Observat\u00f3rio da Mulher contra a Viol\u00eancia, ligado ao Senado Federal, revelou um dado que chama aten\u00e7\u00e3o: 69% das mulheres evang\u00e9licas que sofrem viol\u00eancia dom\u00e9stica procuram primeiro ajuda dentro da igreja, antes de recorrer a \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. O mesmo estudo aponta que institui\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o buscadas por mais da metade das v\u00edtimas brasileiras, o que refor\u00e7a o peso das comunidades de f\u00e9 como espa\u00e7o de acolhimento, mas tamb\u00e9m de tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado frequentemente citado em debates sobre o tema vem de estudos analisados por pesquisadores da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que indicam que cerca de 40% das mulheres atendidas por organiza\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 v\u00edtima se identificam como evang\u00e9licas. Especialistas destacam que esse n\u00famero n\u00e3o significa que a religi\u00e3o seja causa direta da viol\u00eancia, mas aponta para um fen\u00f4meno que precisa ser discutido com seriedade dentro das pr\u00f3prias comunidades religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Martha Zouain, especialista em neuroaprendizagem e comportamento humano, afirma que a contradi\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e viol\u00eancia \u00e9 uma das quest\u00f5es mais dolorosas relatadas por mulheres que chegam ao consult\u00f3rio. \u201cEm mais de 26 anos trabalhando com pessoas, j\u00e1 ouvi essa hist\u00f3ria muitas vezes. Mulheres que chegam at\u00e9 mim carregando uma ferida dupla: a da agress\u00e3o e a da confus\u00e3o de n\u00e3o entender como aquilo \u00e9 poss\u00edvel dentro de uma casa onde se ora, se l\u00ea a B\u00edblia, onde o marido lidera uma c\u00e9lula\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a explica\u00e7\u00e3o passa tamb\u00e9m por fatores emocionais e psicol\u00f3gicos que antecedem a pr\u00f3pria experi\u00eancia religiosa. \u201cA f\u00e9 move montanhas, mas n\u00e3o reorganiza sozinha circuitos emocionais que foram formados ao longo de anos. Raiva mal regulada, necessidade de controle, incapacidade de lidar com a frustra\u00e7\u00e3o: esses padr\u00f5es nascem na inf\u00e2ncia, se consolidam no sistema nervoso e n\u00e3o desaparecem com uma ora\u00e7\u00e3o, por mais sincera que ela seja\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O sil\u00eancio que protege reputa\u00e7\u00f5es<\/h4>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que dificultam a den\u00fancia est\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o social que alguns agressores ocupam dentro das igrejas. Em muitos casos, o agressor \u00e9 l\u00edder religioso, pastor ou respons\u00e1vel por minist\u00e9rios, o que cria um dilema doloroso para as v\u00edtimas.&nbsp;\u201cQuando ou\u00e7o isso, sinto um aperto no peito. Porque essa mulher est\u00e1 sozinha num dos momentos mais dif\u00edceis da vida e ainda carrega nas costas o peso da imagem do marido, da fam\u00edlia, da congrega\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Zouain.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aponta que muitas mulheres acabam sendo pressionadas a proteger a reputa\u00e7\u00e3o do agressor. \u201cEla foi ensinada, de forma sutil e cruel, que a reputa\u00e7\u00e3o dele vale mais do que a dor dela. Isso \u00e9 uma invers\u00e3o de valores que precisa ser desfeita com firmeza\u201d, diz.&nbsp;Para a especialista, a pr\u00f3pria ideia de reputa\u00e7\u00e3o precisa ser revista dentro das comunidades religiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA verdadeira reputa\u00e7\u00e3o de um l\u00edder n\u00e3o se constr\u00f3i no palco, diante da congrega\u00e7\u00e3o. Ela se revela no quarto, na cozinha, na forma como ele trata quem n\u00e3o pode cobrar nada dele. Um homem que agride em casa e lidera na frente n\u00e3o tem reputa\u00e7\u00e3o a proteger, tem uma mentira a sustentar\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>A pastora Aline Santos, da Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, reconhece que a situa\u00e7\u00e3o se torna especialmente delicada quando envolve l\u00edderes religiosos. \u201c\u00c9 realmente muito delicado a gente falar sobre isso, porque esse homem ocupa um lugar de destaque dentro da igreja, por ser um l\u00edder. Se algu\u00e9m fala de uma agress\u00e3o, de algo que fere os princ\u00edpios da palavra, vai ser um esc\u00e2ndalo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Cristiano Stefenoni<\/strong> &#8211; Cumunh\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<div class=\"jorna-rodape jorna-entity-placement\" id=\"jorna-500732351\"><div id=\"jorna-4154784183\"><a href=\"https:\/\/gkscontabilidade.com\/\" aria-label=\"GKS Contabilidade\"><img src=\"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade.jpeg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade.jpeg 1600w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-300x65.jpeg 300w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-1024x223.jpeg 1024w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-768x168.jpeg 768w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-1536x335.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" width=\"1600\" height=\"349\"   \/><\/a><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas revelam agress\u00f5es dentro de fam\u00edlias crist\u00e3s e mostram por que muitas mulheres n\u00e3o denunciam,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":46310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-46309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46309"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46311,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46309\/revisions\/46311"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}