{"id":48771,"date":"2026-08-20T14:25:29","date_gmt":"2026-08-20T17:25:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/?p=48771"},"modified":"2026-08-20T14:25:30","modified_gmt":"2026-08-20T17:25:30","slug":"crise-no-varejo-mesbla-arapua-saraiva-e-outras-grandes-varejistas-brasileiras-que-faliram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/2026\/08\/20\/crise-no-varejo-mesbla-arapua-saraiva-e-outras-grandes-varejistas-brasileiras-que-faliram\/","title":{"rendered":"Crise no varejo: Mesbla, Arapu\u00e3, Saraiva e outras grandes varejistas brasileiras que faliram"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Casas Bahia tenta renegociar cerca de R$ 17,3 bilh\u00f5es em d\u00edvidas, depois de oito trimestres consecutivos de preju\u00edzo<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial do grupo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/casas-bahia-recuperacao-judicial-prejuizo-10-bilhoes\/\">Casas Bahia<\/a>&nbsp;e da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/marabraz-pede-recuperacao-judicial-de-cinco-empresas\/\">Marabraz<\/a>, ambos protocolados no \u00faltimo final de semana, inauguram mais um cap\u00edtulo no hist\u00f3rico de crises que de tempos em tempos assombram gigantes do setor do varejo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A Casas Bahia tenta renegociar cerca de R$ 17,3 bilh\u00f5es em d\u00edvidas, depois de oito trimestres consecutivos de preju\u00edzo, mesmo ap\u00f3s ter recorrido a uma recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial em 2024. Na semana passada, a rede anunciou o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/casas-bahia-fecha-298-lojas\/\">fechamento de 298 lojas e a demiss\u00e3o de cerca de 3 mil funcion\u00e1rios<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Marabraz, s\u00e3o cerca de R$ 140 milh\u00f5es em d\u00edvidas que a empresa precisa renegociar. Por meio da recupera\u00e7\u00e3o judicial, as empresas, duas grandes varejistas do pa\u00eds, esperam conseguir preservar as opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os pedidos, as empresas se juntam a um grupo em que est\u00e3o tamb\u00e9m&nbsp;<strong>Americanas<\/strong>,&nbsp;<strong>Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/strong>,&nbsp;<strong>Casa &amp; V\u00eddeo<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Tok&amp;Stok<\/strong>, que entraram em recupera\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial para evitar o fechamento nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras marcas que chegaram a dominar o setor, em diferentes \u00e9pocas, n\u00e3o tiveram o mesmo destino e acabaram desaparecendo, por irem \u00e0 fal\u00eancia, encerrarem as opera\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria ou serem compradas por concorrentes. Relembre alguns casos:<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mappin<\/h2>\n\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"Comercial do Mappin para o Natal de 1990 \" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18132937\/mappin.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Comercial do Mappin para o Natal de 1990&nbsp;(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Propagandas Hist\u00f3ricas)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais representantes do varejo brasileiro de outrora, o Mappin foi criado em S\u00e3o Paulo no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 e logo se transformou em uma das principais lojas de departamentos do pa\u00eds. Ao longo das d\u00e9cadas, tornou-se refer\u00eancia para consumidores paulistanos e passou a vender praticamente de tudo, de roupas e m\u00f3veis a eletrodom\u00e9sticos e artigos para casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1990, entretanto, a companhia come\u00e7ou a enfrentar dificuldades. A concorr\u00eancia de lojas especializadas e o crescimento dos shopping centers mudaram o ambiente em que as grandes lojas de departamentos haviam prosperado. Em 1995, o Mappin registrou preju\u00edzo de quase R$ 20 milh\u00f5es. No ano seguinte, foi vendido ao empres\u00e1rio Ricardo Mansur, que tamb\u00e9m controlava a Mesbla.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a tentativa de recupera\u00e7\u00e3o da empresa fracassou. O Mappin encerrou as atividades em 29 de julho de 1999, com uma d\u00edvida estimada em R$ 1,2 bilh\u00e3o e mais de 300 pedidos de fal\u00eancia, que acabou decretada no mesmo ano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mesbla<\/h2>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Fachada de pr\u00e9dio do Mesbla em Campinas (SP)\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18133143\/mesbla-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fachada de pr\u00e9dio do Mesbla em Campinas (SP)&nbsp;(Foto: Anderson Carlos Bueno dos Santos\/Wikimedia Commons)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Mesbla come\u00e7ou suas atividades no Rio de Janeiro em 1912 e chegou a ser uma das maiores redes de lojas de departamentos do Brasil. No auge, chegou a 180 lojas e mais de 28 mil funcion\u00e1rios. O conceito era o de um verdadeiro \u201cshopping\u201d dentro de uma \u00fanica empresa: roupas, m\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos, artigos para casa e uma enorme variedade de outros produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema foi que o modelo come\u00e7ou a perder competitividade justamente quando o varejo brasileiro passava por uma transforma\u00e7\u00e3o profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>A hiperinfla\u00e7\u00e3o dos anos 1980 levou a empresa a aumentar estoques para se proteger da alta de pre\u00e7os. Com a estabiliza\u00e7\u00e3o proporcionada pelo Plano Real, essa estrat\u00e9gia se tornou um peso. Ao mesmo tempo, lojas especializadas, shopping centers e novos concorrentes pressionavam a antiga estrutura das grandes lojas de departamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Mesbla entrou em concordata preventiva em 1995. Ricardo Mansur assumiu o controle em 1997, mas n\u00e3o conseguiu reverter a crise. A fal\u00eancia foi decretada em 1999, mesmo ano em que o Mappin tamb\u00e9m desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Arapu\u00e3<\/h2>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"An\u00fancio das Lojas Arapu\u00e3 em edi\u00e7\u00e3o da Gazeta do Povo de 20 de mar\u00e7o de 1990\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18133417\/arapua-gazeta-do-povo-1-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>An\u00fancio das Lojas Arapu\u00e3 em edi\u00e7\u00e3o da Gazeta do Povo de 20 de mar\u00e7o de 1990&nbsp;(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Mem\u00f3ria Paran\u00e1)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Arapu\u00e3 tem uma hist\u00f3ria particularmente pr\u00f3xima da Casas Bahia, que cresceu a partir do credi\u00e1rio. Fundada em Lins, no interior de S\u00e3o Paulo, em 1957, a empresa cresceu vendendo principalmente eletrodom\u00e9sticos e eletr\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, tornou-se uma das principais varejistas do pa\u00eds e rival direta da Casas Bahia e do Ponto Frio. No auge, tinha mais de 220 lojas, 2 mil funcion\u00e1rios e faturamento de cerca de R$ 1,6 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo, entretanto, dependia fortemente das vendas a prazo. O aumento da inadimpl\u00eancia e dos juros deteriorou as finan\u00e7as da companhia. Em 1998, a Arapu\u00e3 pediu concordata com d\u00edvidas que chegavam a aproximadamente R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa tentou sobreviver fechando lojas, demitindo funcion\u00e1rios e diversificando produtos, mas n\u00e3o conseguiu cumprir o acordo com os credores. A fal\u00eancia foi decretada inicialmente em 2003, ap\u00f3s uma longa disputa judicial. O processo chegou ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) e prolongou a sobrevida da marca at\u00e9 que a fal\u00eancia fosse novamente confirmada em 2020.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Casas da Banha<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Comercial da Casas da Banha veiculado nos anos 1980\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18133653\/casas-da-banha.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Comercial da Casas da Banha veiculado nos anos 1980&nbsp;(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Propagandas Hist\u00f3ricas)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno de quebras de gigantes tamb\u00e9m atingiu o varejo de alimentos. Fundada no Rio de Janeiro em 1955, a Casas da Banha chegou a ser a segunda maior rede de supermercados do Brasil. Em 1985, seu auge, tinha 224 lojas, mais de 20 mil funcion\u00e1rios e faturamento anual de US$ 700 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A rede ficou conhecida nacionalmente, em parte por patrocinar o programa do Chacrinha, sucesso de audi\u00eancia nos anos 1980. Tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por um dos primeiros grandes hipermercados brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda come\u00e7ou com os planos econ\u00f4micos dos anos 1980. O congelamento de pre\u00e7os do Plano Cruzado atingiu em cheio a empresa, que trabalhava com margens apertadas. Na sequ\u00eancia, o confisco de dep\u00f3sitos e poupan\u00e7as do Plano Collor agravou a crise de liquidez. A rede passou a vender lojas e ativos para pagar d\u00edvidas e encolheu rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1992, pelo menos 149 lojas j\u00e1 haviam sido vendidas ou devolvidas aos propriet\u00e1rios para o pagamento de d\u00edvidas. A fal\u00eancia foi decretada em 1999, a pedido da pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Saraiva<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Antiga unidade da livraria Saraiva em Bras\u00edlia\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18133747\/saraiva.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Antiga unidade da livraria Saraiva em Bras\u00edlia&nbsp;(Foto: Luan David\/Wikimedia Commons)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fundada em 1914, a Saraiva chegou a se tornar a maior rede de livrarias do pa\u00eds, com mais de 100 lojas. Com a aquisi\u00e7\u00e3o da Siciliano, em 2008, dominava 20% do mercado editorial brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A retra\u00e7\u00e3o do setor, a transforma\u00e7\u00e3o do mercado editorial \u2013 principalmente a migra\u00e7\u00e3o das vendas para o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico \u2013 e o consequente endividamento levaram a companhia a pedir recupera\u00e7\u00e3o judicial em 2018, com um passivo de cerca de R$ 675 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, a Saraiva fechou suas cinco \u00faltimas lojas f\u00edsicas e, no mesmo ano a Justi\u00e7a decretou sua fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ricardo Eletro<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Antiga unidade Ricardo Eletro em Coronel Fabriciano (MG)\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18133858\/ricardo-eletro-maquina-de-vendas-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Antiga unidade Ricardo Eletro em Coronel Fabriciano (MG)&nbsp;(Foto: HVL\/Wikimedia Commons)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fundada em 1989, em Divin\u00f3polis (MG), por Ricardo Nunes, a Ricardo Eletro foi uma das grandes hist\u00f3rias de expans\u00e3o do varejo brasileiro nos anos 2000. A rede cresceu por meio da abertura de lojas e de aquisi\u00e7\u00f5es e, em 2010, uniu-se \u00e0 baiana Insinuante para formar o grupo M\u00e1quina de Vendas<\/p>\n\n\n\n<p>No auge, o conglomerado chegou a ter cerca de 1,2 mil lojas e 28 mil funcion\u00e1rios, tornando-se uma das maiores varejistas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento, por\u00e9m, veio acompanhado de forte endividamento. A M\u00e1quina de Vendas j\u00e1 enfrentava dificuldades financeiras antes da pandemia e havia recorrido a uma recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise sanit\u00e1ria agravou a situa\u00e7\u00e3o: com o fechamento das lojas f\u00edsicas, a empresa chegou a perder mais de 90% do faturamento. Em agosto de 2020, a holding pediu recupera\u00e7\u00e3o judicial com d\u00edvidas de aproximadamente R$ 4 bilh\u00f5es. A companhia fechou todas as suas cerca de 300 lojas f\u00edsicas para concentrar a opera\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio eletr\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 3,5 mil funcion\u00e1rios foram demitidos. A M\u00e1quina de Vendas chegou a ter sua fal\u00eancia decretada em 2022, decis\u00e3o que posteriormente foi suspensa pelo Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo. Embora a empresa ainda mantenha sua opera\u00e7\u00e3o digital, n\u00e3o h\u00e1 mais pontos de venda f\u00edsicos com suas bandeiras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hermes Macedo<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Antiga loja da Hermes Macedo em Paranagu\u00e1 (PR). Im\u00f3vel foi a leil\u00e3o em 2002\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18134005\/hermes-macedo-pedro-serapio-gp-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Antiga loja da Hermes Macedo em Paranagu\u00e1 (PR). Im\u00f3vel foi a leil\u00e3o em 2002&nbsp;(Foto: Pedro Ser\u00e1pio\/Gazeta do Povo\/Arquivo)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de redes nacionais como Casas Bahia, Ponto Frio e Magazine Luiza ocuparem o mercado de eletrodom\u00e9sticos, grandes grupos dominavam mercados regionais.<\/p>\n\n\n\n<p>No Paran\u00e1, uma das marcas que passaram pelo ciclo do auge \u00e0 fal\u00eancia foi a Hermes Macedo, tamb\u00e9m conhecida pela sigla HM. Fundada em Curitiba em 1932 pelo empres\u00e1rio Hermes Farias de Macedo, a empresa come\u00e7ou vendendo pe\u00e7as usadas de caminh\u00f5es. Aos poucos, diversificou suas atividades e transformou-se em uma enorme rede de lojas de departamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1980, chegou a 285 lojas em seis estados, tornando-se uma das maiores empresas varejistas brasileiras. O slogan \u201cDo Rio Grande ao Grande Rio\u201d sintetizava sua presen\u00e7a no Sul e no Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise veio nos anos 1990. O Plano Collor derrubou as vendas, enquanto problemas de sucess\u00e3o e disputas familiares agravaram a situa\u00e7\u00e3o. A concorr\u00eancia de redes como Casas Bahia, C&amp;A e Riachuelo tamb\u00e9m aumentou a press\u00e3o sobre o grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa entrou em concordata em 1992. Depois de tentativas de reestrutura\u00e7\u00e3o, a fal\u00eancia foi decretada em 1997.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Disapel<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Fachada de antiga loja da Disapel no Centro de Curitiba\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18134058\/disapel-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fachada de antiga loja da Disapel no Centro de Curitiba&nbsp;(Foto: Gazeta do Povo\/Arquivo)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Outra marca que dominou o varejo de eletrodom\u00e9sticos na regi\u00e3o Sul foi a Disapel. A empresa paranaense chegou a ter 110 lojas espalhadas por Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e alcan\u00e7ou tamb\u00e9m o estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim dos anos 1990, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o financeira se deteriorou. A empresa entrou em crise e acabou reduzindo sua rede. Quando a fal\u00eancia foi decretada, em junho de 2000, ainda havia 81 unidades em opera\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, Casas Bahia e Ponto Frio adquiriram os pontos comerciais remanescentes da Disapel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Imcosul<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Comercial da Imcosul veiculado nos anos 1980\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18134344\/imcosul.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Comercial da Imcosul veiculado nos anos 1980&nbsp;(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Araujo)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No Rio Grande do Sul, uma das marcas mais lembradas das d\u00e9cadas passadas \u00e9 a Imcosul. Fundada em 1935, a empresa come\u00e7ou como uma loja de com\u00e9rcio diversificado e cresceu at\u00e9 se tornar uma das grandes redes varejistas do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu s\u00edmbolo era um hipop\u00f3tamo, e a marca chegou a manter forte presen\u00e7a em campanhas publicit\u00e1rias e a\u00e7\u00f5es promocionais. No auge, a Imcosul tinha 62 lojas e cerca de 3 mil funcion\u00e1rios em territ\u00f3rio ga\u00facho e em Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa n\u00e3o conseguiu acompanhar a transforma\u00e7\u00e3o do varejo dos anos 1990 e acabou falindo. Seu desaparecimento tamb\u00e9m \u00e9 representativo da transi\u00e7\u00e3o de uma \u00e9poca em que o consumidor do Sul tinha diversas redes regionais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, antes da consolida\u00e7\u00e3o de gigante do varejo nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">J.H. Santos<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Antigo comercial da rede de lojas J.H. Santos\" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18134556\/j-h-santos-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Antigo comercial da rede de lojas J.H. Santos&nbsp;(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Catharina Conte)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Outra tradicional rede ga\u00facha foi a J.H. Santos, que tinha 21 pontos de venda quando sua fal\u00eancia foi decretada, em 1997. No mesmo ano, o Ponto Frio arrematou todas as unidades em leil\u00e3o por R$ 460 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>As lojas empregavam 239 pessoas, e uma das condi\u00e7\u00f5es do leil\u00e3o era que o comprador desse prefer\u00eancia \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o desses funcion\u00e1rios, al\u00e9m de pagar R$ 280 mil em sal\u00e1rios atrasados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lojas Para\u00edso<\/h2>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Com fal\u00eancia decretada em 1999, a Para\u00edso foi uma das principais redes varejistas do Nordeste \" width=\"638\" height=\"359\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2026\/08\/18134730\/lojas-paraiso-960x540.jpg.webp\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com fal\u00eancia decretada em 1999, a Para\u00edso foi uma das principais redes varejistas do Nordeste&nbsp;(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\/Pessoa Neto)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>De origem cearense, as Lojas Para\u00edso chegaram a ser uma das principais redes de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos do Nordeste. A empresa alcan\u00e7ou 57 lojas e 1.079 funcion\u00e1rios, com presen\u00e7a em quatro estados da regi\u00e3o. Seu modelo de neg\u00f3cio tinha forte depend\u00eancia do consumidor de renda mais baixa e das vendas a prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1998, a empresa pediu concordata ap\u00f3s acumular uma d\u00edvida de R$ 67,3 milh\u00f5es. Assim como ocorre com a Casas Bahia hoje, juros elevados, queda nas vendas e inadimpl\u00eancia estavam entre os fatores que pressionavam o caixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 1999, quando restavam 19 lojas, a Justi\u00e7a decretou sua fal\u00eancia, embora uma decis\u00e3o posterior tenha suspendido temporariamente o fechamento de algumas unidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras gigantes regionais que ficaram pelo caminho<\/h2>\n\n\n\n<p>Nem todas as redes desapareceram com o mesmo grau de proje\u00e7\u00e3o nacional, mas algumas ajudam a dimensionar como a concentra\u00e7\u00e3o do varejo atingiu diferentes mercados regionais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Livraria Cultura<\/h3>\n\n\n\n<p>Fundada em S\u00e3o Paulo em 1947, a Livraria Cultura foi durante d\u00e9cadas uma das principais refer\u00eancias do mercado editorial brasileiro. A empresa cresceu para al\u00e9m da tradicional loja da Avenida Paulista e chegou a 18 unidades no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, comprou a opera\u00e7\u00e3o brasileira da francesa Fnac, justamente quando o mercado de livros passava enfrentava o avan\u00e7o do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e a mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos dos leitores. Em 2018, entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial, com d\u00edvidas de cerca de R$ 285 milh\u00f5es. A Justi\u00e7a chegou a decretar a fal\u00eancia da empresa em 2023, mas a decis\u00e3o foi posteriormente suspensa pelo STJ, onde o processo ainda n\u00e3o teve um desfecho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Lojas Brasileiras<\/h3>\n\n\n\n<p>Concorrentes hist\u00f3ricas das Lojas Americanas, as Lojas Brasileiras, ou Lobras, encerraram as atividades em 1999. Tinham 63 unidades em 20 estados e cerca de 6 mil funcion\u00e1rios, mas acumulavam aproximadamente R$ 100 milh\u00f5es em d\u00edvidas. Neste caso, n\u00e3o houve fal\u00eancia decretada pela Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O controlador da marca, a fam\u00edlia Goldfarb, decidiu encerrar a opera\u00e7\u00e3o para preservar a sa\u00fade financeira da Marisa, que tamb\u00e9m pertencia ao grupo. Parte das lojas foi convertida para a bandeira que atua principalmente no com\u00e9rcio de vestu\u00e1rio feminino.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Jumbo Eletro<\/h3>\n\n\n\n<p>Bra\u00e7o de eletrodom\u00e9sticos do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, tamb\u00e9m pertence a essa gera\u00e7\u00e3o de redes que desapareceram. O grupo substituiu progressivamente a marca pela bandeira Extra, em uma mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia que acompanhou a transforma\u00e7\u00e3o do varejo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ultralar<\/h3>\n\n\n\n<p>Criada em 1956 como bra\u00e7o varejista do Grupo Ultra, surgiu principalmente com a inten\u00e7\u00e3o da empresa de popularizar o fog\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o raro no pa\u00eds, e impulsionar as vendas de botij\u00f5es de g\u00e1s. Em 1965 chegou a patrocinar, na TV Globo, o telejornal \u201cUltra Not\u00edcias\u201d, que seria sucedido, anos depois, pelo Jornal Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou a manter 44 lojas em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Depois de ser vendida pelo grupo controlador, enfrentou dificuldades e encolheu para 17 unidades. A fal\u00eancia foi decretada em maio de 2000; a maior parte dos pontos acabou adquirida pela Casas Bahia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dudony<\/h3>\n\n\n\n<p>Do Paran\u00e1, a Dudony chegou a se tornar uma das principais redes regionais de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos, com 110 lojas no Paran\u00e1 e em S\u00e3o Paulo. O crescimento, por\u00e9m, veio acompanhado de forte endividamento, levando a companhia a entrar em recupera\u00e7\u00e3o judicial em 2008, com d\u00edvidas de aproximadamente R$ 105 milh\u00f5es. O desaparecimento da empresa, no entanto, n\u00e3o se deu por fal\u00eancia: em 2009, os credores aprovaram a venda dos ativos da Dudony ao Grupo Silvio Santos, por cerca de R$ 33 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"32\" height=\"32\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2020\/07\/14114052\/celio-yano.jpeg\" alt=\"C\u00e9lio Yano\">Por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/autor\/celio-yano\/\">C\u00e9lio Yano<\/a>&#8211; Gazeta do povo 20-08-2026<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<div class=\"jorna-rodape jorna-entity-placement\" id=\"jorna-1382522204\"><div id=\"jorna-2242038207\"><a href=\"https:\/\/gkscontabilidade.com\/\" aria-label=\"GKS Contabilidade\"><img src=\"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade.jpeg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade.jpeg 1600w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-300x65.jpeg 300w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-1024x223.jpeg 1024w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-768x168.jpeg 768w, https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/GKS-Contabilidade-1536x335.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" width=\"1600\" height=\"349\"   \/><\/a><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Casas Bahia tenta renegociar cerca de R$ 17,3 bilh\u00f5es em d\u00edvidas, depois de oito&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":48772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-48771","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48771"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48771\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48773,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48771\/revisions\/48773"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalvaleevangelico.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}