O que diz a Igreja Católica sobre uso de células de fetos abortados para vacinas

A Igreja Católica há muito tempo se opõe ao desenvolvimento de vacinas usando linhas de células fetais derivadas de maneira não ética. A Instrução Dignitas Personae da Congregação para a Doutrina da Fé, de 2008, declara que o uso de linhas celulares fetais para o desenvolvimento de vacinas “gera vários problemas éticos no que diz respeito à cooperação no mal e no escândalo” e que “todos têm o dever de manifestar sua discordância e solicitar que seu sistema de saúde disponibilize outros tipos de vacinas”.

Nos EUA, há diversas empresas que fabricam vacinas e medicamentos de linha ética, isto é, sem o uso de cultura de células fetais, provenientes dos abortos feitos em 1972 e 1985, na Holanda, de onde foram desenvolvidas as linhas celulares HEK-293 e PER.C6, usadas em diversos tipos de vacinas e medicamentos.Anúncio:

Diz a instrução da Congregação:

Na investigação científica e na produção de vacinas ou de outros produtos, utilizam-se, por vezes, linhas celulares, que são o resultado de uma intervenção ilícita contra a vida ou contra a integridade física do ser humano. A conexão com a acção injusta pode ser imediata ou mediata, uma vez que se trata geralmente de células que se reproduzem facilmente e em abundância. Este «material», por vezes é comercializado e outras vezes distribuído gratuitamente nos centros de investigação por organismos estatais que o fazem por lei. Tudo isto dá lugar a diversos problemas éticos, em tema de cooperação com o mal e de escândalo. 

(…)

A tal propósito, não basta o critério da independência formulado por algumas comissões éticas, ou seja, afirmar que seria eticamente lícita a utilização de «material biológico» de proveniência ilícita, sempre que exista uma clara separação entre os que produzem, congelam e fazem morrer os embriões e os que investigam a evolução da experimentação científica. O critério de independência não basta para evitar uma contradição na atitude de quem afirma não aprovar a injustiça cometida por outros e, ao mesmo tempo, aceita para o seu trabalho «material biológico» que outros obtêm mediante semelhante injustiça.

Por Cristian Derosa -20/07/20200

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