Lula aconselhou dono do Banco Master a não vender banco ao BTG por valor simbólico

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Lula e Daniel Vorcaro Fotos: PR/Ricardo Stuckert | Márcio Gustavo Vasconcelos /CC0

Reunião no Palácio do Planalto em 2024 é revelada em investigação da PF e expõe bastidores de negociação que envolvia venda por R$ 1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou o empresário Daniel Vorcaro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual por um valor simbólico, durante reunião realizada no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024. A informação veio à tona a partir de documentos obtidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na instituição financeira.

De acordo com os registros, o encontro contou com a presença de ministros de Estado e executivos do banco, e teria sido motivado pela intenção de Vorcaro de negociar o controle da instituição. Na ocasião, o empresário relatou que o BTG, comandado por André Esteves, demonstrava interesse em adquirir o banco por apenas R$ 1, proposta considerada simbólica diante da situação financeira do Master.

Mensagens apreendidas pela investigação indicam que, meses depois, em abril de 2025, Vorcaro voltou a discutir o tema com o sócio Augusto Lima. O plano previa manter a negociação sob absoluto sigilo. Em um dos diálogos, o empresário reforça a necessidade de confidencialidade, demonstrando preocupação com possíveis repercussões do negócio.

Antes da tentativa de venda ao BTG, o Banco Master chegou a ser oferecido ao BRB, mas a operação não avançou devido a problemas em carteiras de crédito. Posteriormente, o Banco Central vetou a transação em setembro de 2025 e decretou a liquidação da instituição dois meses depois, em novembro, após agravamento da crise financeira.

Ainda segundo os documentos, Vorcaro buscou orientação de autoridades sobre o futuro do banco. Em uma reunião em Brasília, ele questionou se deveria vender a instituição ou continuar operando no mercado de crédito, destacando a intenção de reduzir a concentração bancária no país.

O tema também foi discutido diretamente com Lula, que, conforme relatos, demonstrou interesse na proposta de ampliar a concorrência no sistema financeiro, mas se posicionou contra a venda do banco nos moldes apresentados.

Participaram do encontro no Planalto nomes como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também esteve presente, atuando como consultor do Banco Master.

Após a reunião, mensagens indicam que Vorcaro avaliou positivamente o encontro com o presidente e seus auxiliares, classificando a agenda como produtiva em conversas privadas.

O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre irregularidades no Banco Master, que acabou sendo liquidado após enfrentar dificuldades financeiras e suspeitas de fraude, ampliando a repercussão política e econômica do episódio.

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