Novo pedido de impeachment amplia crise política contra prefeito de Valadares
Denúncia sobre suposto superfaturamento em kits escolares é protocolada às vésperas de votação decisiva sobre transporte escolar
A Câmara Municipal de Governador Valadares recebeu, nesta segunda-feira (11), um novo pedido de impeachment contra o prefeito Coronel Sandro (PL), ampliando o cenário de crise política enfrentado pelo chefe do Executivo. A denúncia desta vez tem como foco a compra de kits escolares e aponta possível prejuízo milionário aos cofres públicos.
O novo pedido foi protocolado poucos dias antes da votação em plenário de outro processo de impeachment, relacionado a supostas irregularidades no contrato de transporte escolar do município. A deliberação dos vereadores está prevista para esta semana, aumentando a pressão política sobre a administração municipal.
De acordo com a representação, a Prefeitura teria adquirido materiais escolares por valores superiores aos praticados em atas de registro de preços de outros consórcios públicos e também do governo federal. A denúncia sustenta que, em alguns casos, os preços pagos teriam sido significativamente maiores, gerando impacto expressivo nas contas públicas.
Um dos pontos destacados envolve a compra de mochilas escolares com valores muito acima de referências disponíveis no mercado público. Segundo o documento, apenas esse item pode ter gerado diferença superior a R$ 2,5 milhões.
Outro questionamento diz respeito à quantidade de kits adquiridos para a educação infantil. A denúncia aponta que foram comprados 5.762 conjuntos, enquanto o número de alunos matriculados nas creches municipais em 2025 seria de 3.506, indicando possível descompasso entre demanda e aquisição.
O pedido também atribui responsabilidade direta ao prefeito pela contratação, argumentando que a adesão à ata de registro de preços — mecanismo conhecido como “carona” — depende de sua autorização. A representação sustenta ainda possível violação ao princípio da economicidade previsto na legislação, além de eventual negligência na gestão de recursos públicos.
Nos bastidores, o caso se soma a outras investigações e denúncias envolvendo a atual gestão, incluindo apurações do Tribunal de Contas do Estado sobre o transporte escolar, que já resultaram em medidas cautelares e reforçam o ambiente de instabilidade política no município.
A Câmara deverá analisar o novo pedido e decidir sobre sua admissibilidade. Caso seja aceito, o processo segue com abertura de comissão, direito à defesa e possível julgamento político do mandato. Até o momento, a Prefeitura não se manifestou oficialmente sobre a nova denúncia.

