Chile registra abertura de 82 novas igrejas evangélicas em apenas três meses

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A participação do segmento evangélico vem crescendo de maneira gradual nas últimas décadas - Foto: Thomas Griggs/Unsplash

Expansão religiosa alcança 13 regiões do país e amplia a presença evangélica nos bairros, na política e em projetos de assistência social

Da Redação — Portal Vale Evangélico

O Chile registra uma expansão das organizações religiosas evangélicas, com a criação de 82 novas entidades entre junho e agosto de 2026. Os dados, levantados pelo veículo chileno Ex-Ante a partir de registros publicados no Diário Oficial, revelam o avanço da presença evangélica em diferentes regiões do país, especialmente nas áreas centrais e do sul.

Foram registradas 36 novas entidades em junho, 28 em julho e 18 em agosto, uma média próxima de uma organização por dia. No mesmo período, outras 16 instituições promoveram alterações em seus estatutos.

As novas organizações estão distribuídas por 13 regiões chilenas. A Região Metropolitana lidera, com 32 registros, seguida por Biobío, com 15; Valparaíso, com nove; e Los Lagos, com seis. Na capital, a expansão alcança 22 municípios, incluindo áreas populares como Lo Espejo, La Pintana e Puente Alto.

Mais de 6 mil entidades religiosas

Segundo dados do Ministério da Justiça do Chile, o país possui 6.160 entidades religiosas com personalidade jurídica, registradas desde a entrada em vigor da Lei do Culto, em 1999. A legislação permitiu que denominações não católicas também obtivessem personalidade jurídica própria.

O crescimento institucional acompanha a evolução da população evangélica. O Censo de 2024 contabilizou 2.466.607 pessoas com mais de 15 anos que se identificaram como evangélicas ou protestantes, o equivalente a 16,3% da população nessa faixa etária.

Em 1992, os evangélicos representavam 13,2% da população, percentual que subiu para 15,1% em 2002. No mesmo período, a proporção de católicos caiu de 70% para 54%.

A presença evangélica é particularmente expressiva no sul do país. Biobío registra o maior percentual, com 33,5%, seguida por La Araucanía, com 27,4%; Los Ríos, com 25,9%; e Ñuble, com 23,7%.

Igrejas fortalecem atuação comunitária

Uma característica da expansão evangélica chilena é a autonomia de muitas congregações, que surgem a partir de iniciativas locais e mantêm vínculos com diferentes denominações e redes religiosas.

Esse modelo favorece a formação de comunidades menores, próximas dos moradores e inseridas na realidade dos bairros. Além das atividades de culto e evangelização, muitas igrejas desenvolvem ações de assistência, promovem a convivência comunitária e oferecem apoio a famílias em situação de vulnerabilidade.

Dessa forma, o crescimento não se limita à construção de templos ou ao aumento do número de fiéis, mas também se manifesta na atuação social das instituições religiosas.

Presença evangélica avança na política

A expansão também se reflete na esfera pública. Durante campanhas eleitorais, candidatos de diferentes correntes ideológicas têm buscado aproximação com pastores e comunidades evangélicas, reconhecendo a capacidade de mobilização desse segmento.

Entre os temas presentes nesse diálogo estão a defesa da vida, a família e a liberdade religiosa.

No Congresso Nacional, ao menos sete deputados mencionados no levantamento se identificam como evangélicos: Eduardo Durán e Mauro González, da Renovación Nacional; Stephan Schubert, Benjamín Lorca e Stephanie Jéldrez, do Partido Republicano; além de Francesca Muñoz e Sara Concha, do Partido Social Cristiano.

No Senado, destaca-se Iván Moreira, da União Democrata Independente (UDI), representante da região de Los Lagos e ligado à Igreja Metodista Pentecostal.

A participação também alcança o Poder Executivo e a administração municipal. Judith Marín, vinculada ao Partido Social Cristiano e de formação evangélica, ocupa o Ministério da Mulher. Já Héctor Muñoz, da mesma legenda, é prefeito de Concepción.

Apesar dessa presença crescente, os evangélicos chilenos não formam um bloco político homogêneo. Há diferenças entre denominações, pastores e fiéis. Em 2021, por exemplo, enquanto parte expressiva do segmento apoiava José Antonio Kast, um grupo de bispos e pastores manifestou apoio ao então candidato Gabriel Boric.

Capela evangélica no Palácio de La Moneda

A maior visibilidade institucional também chegou ao Palácio de La Moneda, sede da Presidência chilena. Neste ano, o governo inaugurou uma capela evangélica no complexo presidencial, destinada ao atendimento da comunidade protestante, oferecendo um espaço próprio para a realização de cultos, à semelhança do que já existia para os católicos.

Outra iniciativa envolve o Ministério da Habitação, que lançou um programa para a construção de Centros de Culto Comunitários. A proposta prevê 22 projetos em diferentes regiões do país, com espaços destinados tanto às atividades religiosas quanto a ações sociais.

Cada unidade terá 120 metros quadrados, dos quais até 30 metros quadrados serão destinados às atividades de culto. A área restante deverá receber oficinas, reuniões e iniciativas comunitárias.

Segundo o ministro da Habitação, Iván Poduje, a proposta considera a atuação das igrejas em comunidades vulneráveis e a contribuição social desenvolvida por essas instituições.

Expansão religiosa e transformação social

O cenário chileno demonstra que o crescimento evangélico vai além da abertura de novas congregações. A expansão alcança comunidades locais, instituições públicas, representação política e projetos sociais.

Com milhares de organizações religiosas formalizadas e novas entidades surgindo em diferentes regiões, o segmento evangélico amplia sua visibilidade e consolida sua participação na sociedade chilena, preservando, ao mesmo tempo, a diversidade de denominações e posicionamentos.

Com informações do Evangélico Digital e do levantamento publicado pelo Ex-Ante.

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