Os reflexos da inflação no poder de compra – Como reagir aos sucessivos aumentos de preços

* Marcos Chaves – Administrador e Consultor Financeiro, professor universitário, MBA em Gestão Financeira e Controladoria e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas.

A economia é um organismo vivo, que reage a expectativas (Guedes, 2020). Acredito que é unânime o entendimento que uma visão ampla e proativa sobre as decisões econômicas refletem em benefícios para toda a população. Sabemos que a economia é uma ciência social que tem por finalidade o estudo da produção, distribuição e consumo de bens e serviços, através do comportamento dos indivíduos em relação às necessidades (procura) e aos recursos disponíveis para satisfazê-las (oferta).   

O reajuste nos preços dos produtos alimentícios, tem causado preocupação, medo e incertezas aos consumidores. No entanto, quando analisamos os cenários e entendemos as movimentações dos diversos agentes que envolvem o organismo econômico temos melhor entendimento e alternativas para nos planejar e nos basear para a tomada de decisão.

Segundo o IBGE o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) acumula alta de 0,7% e no acumulado de 12 meses 2,44%, mas dentro da meta estabelecida pelo CMN – Conselho Monetário Nacional. Um dos principais vilões nesse momento é o grupo alimentação e bebidas (0,78%), onde os alimentos para consumo no domicílio tiveram alta de 1,15%, sobretudo pela variação de itens como óleo de soja (9,48%) e do arroz (3,08%) que já acumula alta de 19,25% no ano. Neste cenário quanto menor a renda, maiores são os reflexos no poder de compra.

Os principais fatores que influenciaram as altas dos preços dos itens agrícolas que servem a mesa dos brasileiros foram: o desequilíbrio entre oferta e demanda; a exportação de comodites taxadas pelo dólar; Problemas climáticos no sul, região líder na produção de arroz, trigo, dente outros produtos agrícolas. O auxílio emergencial produziu aumento nas vendas, fortalecido ainda pelo aumento no consumo de alimentos em domicilio. A guerra comercial USA x China, também teve seu papel, proporcionando o aumento nas exportações, fazendo com que o Brasil alcançasse a liderança nas exportações de soja.

Para combater os aumentos dos preços e reduzir os impactos no poder de compra da população, bem como manter a economia estável o governo federal através do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) zerou alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro deste ano. A medida contribuirá para a regulação de preços e preservação da renda das famílias durante a pandemia. A equipe econômica tem grande papel frente as ações, o que nos dá expectativa de novas medidas a partir das tendências do mercado.

Quais medidas o consumidor pode tomar para preservar seu poder de compra e reagir aos sucessivos aumentos?

A educação financeira tem como base o planejamento, mudança comportamental frente ao consumismo. Valorizar seu dinheiro é de suma importância nesse momento, utilizar o auxílio emergencial e/ou outros recursos como o salário mensal para compra de itens essenciais e que haja real necessidade. Estocar itens gera desabastecimento, força as redes supermercadistas a buscarem reposição de estoque em menor tempo, aumentando custos com logística de distribuição, entre outros que sempre são repassados para os consumidores. A busca por produtos substitutos e que tenham nutrientes compatíveis é uma alternativa. A consulta e observância de marcas entrantes também é uma das possibilidades, pois as marcas que tem menor fatia de mercado, muitas das vezes ofertam seus produtos com melhores preços a fim de aumentar suas vendas frente aos concorrentes dominantes. Por fim, adote o consumo consciente, planejando suas compras. Consumir consciente significa decidir com cuidado, evitar o desperdício e preservar a renda.

* Marcos Chaves – Administrador e Consultor Financeiro, professor universitário, MBA em Gestão Financeira e Controladoria e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas. @marcos.chaves.790

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