Veja alguns jornalistas famosos sem diploma de jornalismo
Jornalistas sem formação em jornalismo Fotos: Foto: Lourival Ribeiro/SBT // Foto: Reprodução/TV Band // Reprodução/TV Globo
Boris Casoy, Ricardo Boechat e William Bonner são alguns dos nomes que não têm formação superior em jornalismo
A discussão sobre a exigência de diploma para exercer a atividade jornalística voltou ao debate nesta semana após os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), falarem sobre o tema. No entanto, apesar da questão, a imprensa brasileira tem uma longa lista de profissionais que construíram carreiras de destaque sem ter formação superior específica na área.
Entre os nomes dessa lista estão figuras como Assis Chateaubriand, Samuel Wainer, Carlos Lacerda, Boris Casoy, Ricardo Boechat, Joseval Peixoto e Roberto Marinho. William Bonner, que apresentou o Jornal Nacional por longos anos, também integra a lista: embora tenha se formado em Comunicação Social, sua habilitação foi em Publicidade e Propaganda, e não em Jornalismo.
NOMES HISTÓRICOS SEM DIPLOMA EM JORNALISMO
Assis Chateaubriand, por exemplo, foi um dos principais nomes da história da comunicação brasileira, mas não tinha formação acadêmica em jornalismo. Empresário e político, ele esteve à frente dos Diários Associados, um dos maiores conglomerados de comunicação do país.
Outro nome desse rol é Samuel Wainer, fundador do jornal Última Hora, que teve uma trajetória de destaque no jornalismo sem possuir formação específica na área. Outro nome histórico do século 20 que não tinha formação em jornalismo foi Carlos Lacerda, político e fundador do jornal Tribuna da Imprensa, que tornou-se uma das figuras mais influentes da imprensa e da política brasileira.
No telejornalismo, Boris Casoy construiu uma carreira de décadas, mas não teve uma formação superior em jornalismo. Figura conhecida no jornalismo televisivo, ele começou a trabalhar como locutor aos 15 anos e atuou em diferentes áreas da comunicação, tendo até dirigido cursos de comunicação em uma faculdade. Casoy chegou a iniciar o curso de Direito, mas não concluiu a graduação.
Ricardo Boechat foi outro profissional que se tornou referência no jornalismo brasileiro sem ter o diploma de jornalismo. Com uma longa passagem pela Band, ele ficou conhecido pelo estilo direto e crítico de comunicação. Já Joseval Peixoto, formado em Direito, tornou-se uma das vozes mais conhecidas do radiojornalismo brasileiro.
Roberto Marinho, fundador do Grupo Globo, também não tinha formação acadêmica específica em Jornalismo. Ele construiu sua trajetória na imprensa como jornalista e posteriormente criou um dos maiores grupos de comunicação do país.
Outro caso conhecido é o de William Bonner. O apresentador é formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo (USP).
Bonner começou a carreira como redator publicitário em 1983 e, no ano seguinte, passou a trabalhar também como locutor na Rádio USP FM. Em 1986, foi contratado pela Globo. Ao longo da carreira, passou por programas como Globo Rural, Jornal da Globo, Jornal Hoje e Fantástico, até chegar ao Jornal Nacional. Desde 1996, exerceu também a função de editor-chefe do telejornal, cargo que ocupou até 2025.
DEBATE VOLTOU AO STF
A exigência de diploma em jornalismo para exercer a profissão voltou a ser discutida nesta semana. Durante sessão na Corte, o ministro Flávio Dino afirmou que o sigilo da fonte não pode ser utilizado para “desinformar”, enquanto o ministro Alexandre de Moraes declarou que a liberdade de imprensa não pode ser usada para o “cometimento de crimes”.
Gilmar Mendes, relator do famoso julgamento no STF que derrubou a obrigatoriedade em 2009, também admitiu a possibilidade de rediscutir a questão.
– Podemos discutir, sim, se de fato se entender que há aí algum comprometimento na qualidade de informação – afirmou o ministro na última quarta-feira (19).

