PL amplia força no Senado e terá a maior bancada de um partido na história
Além dos 19 eleitos, PL tem oito senadores com mandato até o final de 2030; um suplente também assume a vaga. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
Partido Liberal elege 19 senadores nas eleições de 2026 e deverá chegar a 28 cadeiras no Senado a partir de 2027
Por Josimar Loureiro
O Partido Liberal (PL) ampliou significativamente sua presença no Senado Federal nas eleições deste domingo, 4 de outubro de 2026. A legenda elegeu 19 senadores nas 54 cadeiras que estavam em disputa e deverá iniciar a próxima legislatura com 28 parlamentares, considerando também os senadores que permanecem com mandato.
Com 81 cadeiras, o Senado Federal teve dois terços de sua composição renovados neste pleito. Os 54 eleitos se juntarão aos 27 senadores escolhidos em 2022, cujos mandatos permanecem até 2031. Com a nova composição, o PL ocupará aproximadamente 34,6% das cadeiras da Casa.
O resultado coloca o PL em uma posição inédita na composição do Senado. A bancada projetada de 28 parlamentares supera o tamanho alcançado pelo antigo PMDB após as eleições de 1998, quando a legenda chegou a 27 senadores, segundo o levantamento divulgado pela imprensa.
PL conquista cadeiras em diferentes regiões
A votação consolidou a presença do partido em estados de diferentes regiões do país. Entre os eleitos pelo PL estão Márcio Bittar (AC), Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (DF), Gustavo Gayer (GO), Zé Medeiros (MT), Reinaldo Azambuja e Capitão Contar (MS), Domingos Sávio (MG), Filipe Barros (PR), Carlos Portinho e Carlos Jordy (RJ), Sanderson (RS), Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid (RO), Nicoletti (RR), Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni (SC), André do Prado (SP) e Eduardo Gomes (TO).
No Distrito Federal, o partido conquistou as duas vagas em disputa, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. O mesmo ocorreu em Mato Grosso do Sul, onde Reinaldo Azambuja e Capitão Contar foram eleitos, e em Rondônia, com Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid.
Em São Paulo, André do Prado (PL) foi eleito ao lado de Guilherme Derrite (PP). Segundo a Agência Senado, ambos representarão o estado na Casa entre 2027 e 2035.
Bancada terá impacto na correlação de forças
A nova configuração do Senado deverá alterar a correlação de forças entre os partidos a partir de 2027. O PT deverá contar com nove senadores, enquanto o MDB deverá ficar com oito, segundo levantamentos divulgados após a apuração.
O tamanho da bancada do PL também amplia o peso do partido nas negociações para a formação da Mesa Diretora e na definição da agenda legislativa. A eleição para a Presidência do Senado ocorrerá em fevereiro de 2027.
Entre os nomes que aparecem nesse cenário está o senador Rogério Marinho (PL-RN), que mantém mandato até 2031 e é apontado como um dos integrantes do partido envolvidos nas articulações para a disputa pela Presidência da Casa.
Mudanças provocadas pelas eleições para governador
A composição final da bancada do PL também será influenciada pelos resultados das eleições para os governos estaduais.
No Paraná, o senador Sergio Moro (PL) foi eleito governador, deixando a cadeira no Senado. A vaga deverá ser ocupada pelo suplente, conforme as regras de sucessão parlamentar.
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador no primeiro turno. A mudança também deverá provocar a convocação de seu suplente para o Senado.
Essas alterações mostram que a composição anunciada para 2027 ainda poderá sofrer ajustes em razão da movimentação de senadores eleitos para outros cargos e de eventuais substituições por suplentes.
Senado terá papel estratégico na próxima legislatura
A ampliação da bancada do PL deverá colocar o partido no centro das principais articulações políticas do Senado. Entre as atribuições constitucionais da Casa estão a análise das indicações presidenciais para tribunais superiores e o processamento e julgamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos crimes de responsabilidade.
O fortalecimento da bancada liberal ocorre em um momento de forte polarização política no país. Temas relacionados ao STF, à segurança pública, à economia e às investigações envolvendo instituições financeiras estiveram entre os assuntos presentes no debate eleitoral de 2026.
A nova composição, entretanto, não significa que o PL terá sozinho maioria no Senado. Para aprovar propostas e conduzir matérias que exigem maior número de votos, a legenda precisará construir acordos com outras bancadas e partidos que integrarão a Casa a partir de 2027.
Uma nova configuração política
O resultado das urnas transforma o PL no principal partido do Senado em número de cadeiras. A legenda passa de uma posição já relevante na atual legislatura para uma bancada projetada de 28 dos 81 senadores, enquanto outras siglas também terão participação significativa nas decisões da Casa.
A nova composição deverá influenciar a relação entre o Congresso e o próximo governo federal, especialmente na definição da agenda legislativa, na formação das comissões e nas votações de projetos de maior impacto político e institucional.
A legislatura que começa em 2027, portanto, terá um Senado com forte presença do PL e uma correlação de forças diferente daquela observada nos últimos anos.
Josimar Loureiro
Jornalista

