Vírus da “doença do beijo” pode causar esclerose múltipla, diz estudo

Pesquisa norte-americana observou que o vírus Epstein-Barr comum (EBV) — responsável por causar a mononucleose infecciosa, também conhecida como a “doença do beijo” — pode elevar o risco da pessoa desenvolver esclerose múltipla.

Publicado na revista Science, o estudo sobre a relação causal entre o vírus da “doença do beijo” e a esclerose múltipla foi liderado por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Durante a pesquisa, foram usados dados de cerca de 10 milhões de militares.

Vírus da doença do beijo pode ser um dos responsáveis pela esclerose múltipla, segundo estudo (Imagem: Reprodução/Vadymvdrobot/Envato)
Vírus da doença do beijo pode ser um dos responsáveis pela esclerose múltipla, segundo estudo (Imagem: Reprodução/Vadymvdrobot/Envato)

“Nosso grupo e outros investigam a hipótese de que o EBV causa esclerose múltipla há anos, mas este é o primeiro estudo a fornecer evidências convincentes de causalidade”, afirma o principal autor da pesquisa, Alberto Ascherio, de Harvard, durante entrevista para a BBC.

Tudo mundo vai ter esclerose múltipla?

Vale explicar que o EBV é um tipo de herpes vírus e infecções do tipo são bastante comuns na população humana mundial. A principal via de transmissão é a saliva, o que pode ocorrer ao beijar uma pessoa ou beber no mesmo copo que outro indivíduo infectado.

Pela facilidade de transmissão, é estimado que cerca de 95% dos adultos convivam com o agente infeccioso, mas nem todos desenvolverão esclerose. Hoje, não existe uma cura conhecida para a infecção, ou seja, ela permanece latente

Por outro lado, o estudo sugere que a “a maioria dos casos de esclerose múltipla pode ser prevenida com a interrupção da infecção pelo EBV e que [isso] pode levar à descoberta de uma cura para a esclerose múltipla”, explica Ascherio.

Estudo investiga desdobramentos da infecção pelo vírus Epstein-Barr (Imagem: Reprodução/CDC/Unsplash)
Estudo investiga desdobramentos da infecção pelo vírus Epstein-Barr (Imagem: Reprodução/CDC/Unsplash)

“Há evidências substanciais sugerindo uma ligação entre o vírus Epstein-Barr e a esclerose múltipla, especialmente quando a infecção sintomática [ou seja, febre glandular ou mononucleose infecciosa] é observada”, comenta Clare Walton, pesquisadora principal da Sociedade de Esclerose Múltipla do Reino Unido.

No entanto, a cientista defende que mais estudos são necessários para confirmar, de fato, a relação causal entre as doenças.

Esclerose e “doença do beijo”: qual a relação?

De acordo com a pesquisa de Harvard, o início dos sintomas da esclerose múltipla começa cerca de dez anos após a infecção inicial pelo vírus da “doença do beijo”. Para determinar essa relação, a equipe de pesquisadores analisou amostras coletadas a cada dois anos dos militares norte-americanos, o que permitiu acompanhar a eventual evolução dos casos.

Durante o estudo, os níveis de um biomarcador de degeneração nervosa típica da esclerose múltipla somente aumentaram após a infecção pelo EBV. Em números, o risco aumentou 32 vezes após a infecção pelo vírus da “doença do beijo”, mas não mudou após a infecção por outros patógenos, segundo os autores.

Para os cientistas, esses resultados “não podem ser explicados por nenhum fator de risco conhecido para esclerose múltipla e sugerem que o EBV é a principal causa” dessa doença. Inclusive, a equipe destaca a necessidade de desenvolver vacinas contra o vírus, o que pode prevenir casos futuros de esclerose.

Fonte: Canaltech – Fidel Foratoter., 18 de janeiro de 2022 10:40 AM·3 min de leitura

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