STF encerra sessão sem definição sobre apuração envolvendo Alexandre de Moraes

0

Pedido de vista de Flávio Dino suspende julgamento; ministros divergiram sobre a tramitação conjunta ou separada dos casos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, na terça-feira (15), a sessão extraordinária que analisava questões relacionadas ao chamado caso Banco Master sem chegar ao mérito sobre eventual investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua suposta relação com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro. O julgamento foi suspenso após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo.

O pedido de vista ocorreu durante a discussão de uma questão de ordem sobre o rito do julgamento. Inicialmente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, havia pautado a análise da Petição 16.662, relacionada a informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e que fazem menções a Moraes. Já a Petição 16.704, envolvendo questionamentos sobre a atuação do ministro André Mendonça na condução do caso Master, estava prevista para análise em 23 de setembro.

Divergência sobre julgamento conjunto

Durante a sessão, o ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para que os dois casos fossem analisados conjuntamente. A proposta também envolvia a discussão sobre a relatoria dos processos.

A posição encontrou apoio dos ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Flávio Dino também se manifestou favoravelmente à reunião dos casos, mas, ao pedir vista posteriormente, sua manifestação não foi contabilizada no placar provisório.

Do outro lado, Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam que os procedimentos permanecessem separados. Fachin sustentou que os fatos tratados nas duas petições são distintos e que não haveria, naquele momento, razão para reunir os processos.

Com a suspensão, Fachin proclamou um placar provisório de 4 votos a 3 pela manutenção da tramitação separada. O voto de Dino não foi computado formalmente porque o ministro pediu vista antes da proclamação do resultado.

Sessão foi marcada por tensão entre ministros

A discussão sobre o rito foi acompanhada por momentos de forte divergência entre integrantes da Corte. Um dos principais episódios ocorreu durante o embate verbal entre Gilmar Mendes e André Mendonça.

Diante do ambiente de tensão e da controvérsia sobre a condução do julgamento, Flávio Dino decidiu interromper a análise para examinar os autos antes de apresentar formalmente sua posição. O pedido de vista encerrou a sessão sem que o STF analisasse o mérito da possível investigação envolvendo Moraes.

No início da sessão, Edson Fachin defendeu a preservação institucional do Supremo e ressaltou a necessidade de que as divergências entre os ministros permanecessem no campo jurídico. Segundo ele, o julgamento deve tratar de fatos e questões jurídicas, evitando confrontos pessoais.

Nunes Marques e Toffoli não participaram da votação

Antes da análise da questão de ordem, o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento. Ele citou, entre outros fatores, sua posição como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e possíveis impactos político-eleitorais da decisão.

O ministro Dias Toffoli, por sua vez, declarou suspeição por motivo de foro íntimo e também não participou da votação.

Mérito ainda não foi analisado

Um ponto importante é que o STF não decidiu nesta sessão se Alexandre de Moraes será ou não investigado. O plenário estava discutindo inicialmente questões processuais relacionadas à tramitação das duas petições.

Segundo o próprio STF, o mérito da Petição 16.662 não chegou a ser examinado. O processo está relacionado a relatório da Polícia Federal elaborado a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade desse relatório.

O ministro Flávio Dino tem, pelas regras aplicáveis ao pedido de vista, até 90 dias para devolver a questão ao plenário. Até o momento, não há uma nova data definida para a retomada da análise.

Placar provisório

MinistrosPosição
Edson FachinSeparação dos casos
André MendonçaSeparação dos casos
Luiz FuxSeparação dos casos
Cármen LúciaSeparação dos casos
Gilmar MendesJulgamento conjunto
Cristiano ZaninJulgamento conjunto
Alexandre de MoraesJulgamento conjunto
Flávio DinoManifestou-se pelo julgamento conjunto, mas pediu vista
Kassio Nunes MarquesImpedido
Dias ToffoliSuspeito por foro íntimo

Placar provisório proclamado: 4 votos pela tramitação separada contra 3 pela reunião dos casos.

Por Josimar Loureiro
Portal Vale Evangélico

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *