Nos EUA, Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito” e promete liderar oposição a Lula

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Em sua primeira manifestação pública após chegar aos Estados Unidos com a família, senador afirma que deixou o Brasil para escapar de uma suposta perseguição política e promete continuar a luta pela democracia e pela liberdade.

Por Josimar Loureiro – 28 de outubro de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou, nesta quarta-feira (28), que se considera o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi divulgada pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, e representa a primeira manifestação pública do parlamentar após sua chegada aos Estados Unidos, acompanhado de familiares.

Em sua mensagem, Flávio dirigiu-se aos brasileiros e afirmou que pretende continuar sua atuação política fora do país. O senador também fez acusações contra os responsáveis pelo processo eleitoral brasileiro, classificando o atual cenário político como um regime autoritário.

“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, declarou.

As afirmações integram o posicionamento político do senador e não constituem, por si só, comprovação de fraude eleitoral.

ALEGADA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Na manifestação, Flávio Bolsonaro rejeitou a interpretação de que sua ida aos Estados Unidos representaria uma fuga do Brasil. Segundo ele, a decisão foi motivada pela necessidade de preservar sua liberdade e manter sua atuação política diante do que considera um ambiente de perseguição e restrições à oposição.

“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, afirmou.

O senador argumentou que, caso permanecesse no país, poderia enfrentar censura ou prisão, circunstâncias que, segundo sua avaliação, comprometeriam sua capacidade de exercer a liderança oposicionista. Ao fazer essa comparação, mencionou a situação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem atribuiu estar submetido a restrições políticas e judiciais.

Flávio também criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de exercer influência sobre o ambiente político nacional e de limitar a atuação de setores da oposição.

Até o momento, as acusações apresentadas pelo senador devem ser compreendidas como parte de sua manifestação política, não como conclusões judiciais estabelecidas.

AGRADECIMENTOS A TRUMP E MILEI

Em outro trecho da declaração, Flávio Bolsonaro agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao governo norte-americano. Segundo o senador, essas autoridades e o governo dos EUA teriam contribuído para oferecer abrigo e segurança jurídica à sua família.

O agradecimento sinaliza a importância que o parlamentar atribui às relações com lideranças internacionais alinhadas a setores conservadores e de direita. A declaração, entretanto, não detalha as condições jurídicas ou administrativas relacionadas à permanência da família nos Estados Unidos.

Flávio também ressaltou que não existe mandado de prisão expedido contra ele, rebatendo as interpretações de que sua saída do Brasil estaria relacionada a uma tentativa de escapar de uma ordem judicial.

EXÍLIO COMO REFERÊNCIA POLÍTICA

Para justificar a continuidade de sua atuação política no exterior, o senador citou personalidades históricas e lideranças que viveram ou atuaram fora de seus países em contextos de conflitos políticos.

Entre os nomes mencionados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.

Na avaliação de Flávio, essas figuras demonstram que a atuação política fora do território nacional pode ser utilizada como instrumento de resistência a governos considerados autoritários. Ele afirmou que muitos desses líderes também foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam, mas acabaram reconhecidos de outra maneira pela história.

“Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil”, declarou.

NOVO CAPÍTULO NA DISPUTA POLÍTICA

A manifestação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos acrescenta um novo capítulo à disputa política entre o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e o governo Lula. Ao se apresentar como liderança da oposição a partir do exterior, o senador sinaliza a intenção de manter sua participação no debate político brasileiro, mesmo distante do país.

A declaração também reforça o discurso de confronto com as instituições brasileiras e de aproximação com lideranças internacionais conservadoras. Os desdobramentos políticos e jurídicos dessa decisão dependerão dos próximos movimentos do senador, das condições de sua permanência nos Estados Unidos e de sua capacidade de mobilizar apoiadores no Brasil.

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