PF diz que viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA não configura fuga nem justifica prisão imediata

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Linha fina: Senador viajou com a família para os Estados Unidos após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a apreensão de seus documentos de viagem diante de um possível risco de saída do país.

Da Redação — Portal Vale Evangélico

A Polícia Federal (PF) informou, na tarde desta quarta-feira (28), que a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas, não caracteriza, por si só, uma situação de fuga nem justifica automaticamente a adoção de medidas cautelares imediatas, como prisão ou vigilância permanente.

O posicionamento foi divulgado um dia após o parlamentar deixar o Brasil, contrariando uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático à Polícia Federal.

Em comunicado, a corporação esclareceu que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem não é suficiente para caracterizar alguém como foragido da Justiça.

“A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”, afirmou a PF.

PF investiga descumprimento de ordem judicial

Segundo a Polícia Federal, o pedido de apreensão dos passaportes foi encaminhado ao STF após a identificação de um possível risco de saída do senador do território brasileiro. A corporação, entretanto, ressaltou que essa avaliação não implica a necessidade automática de outras medidas restritivas.

Apesar do posicionamento, a PF confirmou que está investigando as circunstâncias do descumprimento da determinação judicial, observando os limites estabelecidos pela legislação.

A ordem de Moraes havia sido expedida no domingo (25), após a conclusão da eleição presidencial que, segundo o texto original da notícia, deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão atendeu a uma solicitação da própria Polícia Federal, que apontou risco de saída do país em meio às investigações envolvendo o senador no Supremo Tribunal Federal.

Saída do Brasil ocorreu pela Argentina

A Polícia Federal informou que não registrou oficialmente a saída de Flávio Bolsonaro pelos postos brasileiros de controle migratório.

De acordo com informações oficiais do governo argentino citadas pela imprensa daquele país, o senador deixou o Brasil pela cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, e ingressou em Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de terça-feira (27).

Já em território argentino, ele embarcou em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.

Conforme uma declaração de voo autorizada pelo governo argentino e obtida pela imprensa local, o avião decolou de Puerto Iguazú nas primeiras horas desta quarta-feira (28). A aeronave realizou uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, antes de pousar em um aeroporto executivo de Opa-Locka, na região metropolitana de Miami, na Flórida.

Senador teria utilizado passaporte italiano

Ainda segundo as informações divulgadas, Flávio Bolsonaro teria utilizado seu passaporte italiano para realizar a viagem internacional. Os documentos brasileiros do parlamentar haviam sido cancelados pela Polícia Federal na véspera e registrados no sistema global de monitoramento.

A esposa e as duas filhas do senador, por sua vez, teriam viajado utilizando seus respectivos passaportes brasileiros.

O caso deverá continuar sob análise das autoridades, especialmente em relação ao cumprimento da ordem judicial e às circunstâncias da saída do parlamentar do território nacional.

Até o momento, conforme o comunicado divulgado, a Polícia Federal não considera que a viagem, isoladamente, caracterize fuga ou justifique a adoção automática de medidas cautelares. A investigação sobre o descumprimento da determinação judicial, contudo, permanece em andamento.

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